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Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Falta de previsibilidade continua a ser um dos maiores desafios das empresas

Incerteza regulatória, dependência energética e a urgência de novas parcerias marcaram o debate sobre o papel das empresas numa Europa a reinventar-se e a apostar na transição energética.

15:00
Debate sobre sustentabilidade e transição energética com empresas e especialistas
Debate sobre sustentabilidade e transição energética com empresas e especialistas Fernando Costa
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Pedro Fino, Ivone Rocha, Gabriel Sousa, David Castro e Cecília Meireles defenderam que a adaptação climática e a autonomia estratégica europeia dependem de maior previsibilidade regulatória, diversificação de soluções e cooperação entre o Estado e as empresas. A moderação esteve a cargo de Diana do Mar.

A adaptação climática e a autonomia estratégica europeia exigem mais previsibilidade regulatória, diversificação de soluções e cooperação entre Estado e empresas. A ideia marcou o debate.

“O papel das empresas na adaptação e autonomia estratégica europeia”, integrado na Grande Conferência Negócios Sustentabilidade 20|30, que reuniu representantes da indústria, da energia, da consultoria, do turismo e da diáspora portuguesa.

Cecília Meireles, secretária-geral da ATIC, defendeu que o principal desafio da indústria não está na ambição das metas climáticas, mas na falta de clareza sobre a sua aplicação.

O principal desafio é a previsibilidade. Cecília Meireles, Secretária-Geral da ATIC

“O principal desafio é a previsibilidade”, afirmou, lembrando que setores como o cimento precisam de investir em tecnologias pesadas, como a captura de carbono, mas continuam confrontados com regras incompletas e critérios ainda pouco claros. Para a antiga deputada, “não basta haver um roteiro”. É preciso que esse roteiro seja executado com estabilidade regulatória.

Previsibilidade para investir, autonomia para resistir

Precisamos de diversificar soluções. Gabriel Sousa, CEO da Floene

No setor energético, Gabriel Sousa, CEO da Floene, sublinhou que a autonomia estratégica passa por diversificar soluções e apostar na produção endógena. O biometano, por poder ser integrado na rede existente e reduzir custos de transformação para a indústria, surge como uma das respostas possíveis. Até ao final do ano, adiantou, cinco projetos deverão começar a injetar biometano na rede nacional. Ainda assim, avisou, “não há uma solução única” para a transição energética.

Um problema holístico como é o problema climático carece de uma abordagem holística. Ivone Rocha, Partner da Deloitte Legal Telles

Ivone Rocha, partner da Deloitte Legal Telles, defendeu uma nova geração de cooperação entre Estado e empresas, não apenas para desenvolver projetos, mas para construir soluções e gerar consensos. Num contexto em que guerras, tempestades e catástrofes naturais afetam infraestruturas públicas e privadas, a consultora considerou que a resposta tem de ser integrada. “Um problema holístico como é o problema climático carece de uma abordagem holística”, afirmou, defendendo que a regulação deve funcionar como facilitador da mudança e não como travão.

Antecipar crises em vez de reagir a choques

Os nórdicos procuram sempre antecipar e não reagir àquilo que enfrentam. David Castro, Conselheiro do Conselho da Diáspora Portuguesa

David Castro, conselheiro do Conselho da Diáspora Portuguesa e investigador nos países nórdicos, trouxe a comparação com economias que, segundo disse, se distinguem pela capacidade de antecipar crises em vez de apenas reagir a choques. Para o investigador, Portugal continua demasiado centrado numa visão limitada da produtividade, quando o verdadeiro problema está na alocação de capital, na estrutura da atividade económica e na organização da economia.

A principal característica é ter essa capacidade de nos irmos adaptando aos desafios que vão acontecer. Pedro Fino, CFO do Grupo Pestana

A perspetiva do turismo foi trazida por Pedro Fino, CFO do Grupo Pestana, que destacou a capacidade de adaptação construída pelo setor ao longo de sucessivas crises, da crise financeira à pandemia. Hoje, explicou, o grupo consegue abrir ou fechar unidades em poucos dias, mobilizar equipas entre hotéis e usar tecnologia comum em diferentes geografias. Para o gestor, a resiliência depende também da relação com as comunidades locais, que funciona como amortecedor em momentos de crise.

A adaptação climática exige metas claras, execução consistente e empresas capazes de responder mais depressa a fenómenos extremos, choques geopolíticos e novas exigências regulatórias.

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