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73% dos profissionais em Portugal consideram a construção sustentável uma prioridade

Ainda assim, o barómetro sobre o setor mostra que apenas quatro em cada dez profissionais acreditam que as práticas verdes geram mais valor.

24 de Abril de 2026 às 12:52
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A maioria dos profissionais, estudantes, associações e agentes locais do setor da construção já conhece o conceito da sustentabilidade, os cidadãos reconhecem-lhe importância e poucos contestam a necessidade de acelerar a mudança. Mas o novo Barómetro da Construção Sustentável 2026, publicado pelo Observatório da Construção Sustentável da Saint-Gobain, mostra também que ainda há dúvidas sobre o impacto das opções verdes no retorno do investimento.

Em Portugal, 73% das partes interessadas dizem compreender claramente o conceito de construção sustentável, enquanto apenas 1% diz nunca ter ouvido falar do tema. Entre os cidadãos, o conhecimento é mais moderado: 36% dizem compreender exatamente o conceito e 54% reconhecem-no, embora sem domínio aprofundado. Ainda assim, 73% das pessoas relacionadas com o setor e 60% dos cidadãos consideram a construção sustentável uma prioridade.

Apesar do consenso, o barómetro identifica um desalinhamento entre intenção e implementação. A nível global, 87% das partes interessadas defendem que é preciso “fazer mais” neste domínio, mas apenas 30% dos profissionais dizem realizar atualmente projetos sustentáveis, enquanto 55% afirmam que pretendem fazê-lo. Entre aqueles que já trabalham em construção sustentável, só 32% avaliam sistematicamente a pegada de carbono dos projetos.

No prefácio do estudo, Benoit Bazin, presidente e diretor executivo do grupo Saint-Gobain, afirma que “a construção sustentável ainda não está sistematicamente integrada na forma como os projetos são concebidos, financiados e avaliados”. Para o responsável, “colmatar esta lacuna constitui agora uma das maiores oportunidades para a transformação do setor”.

A questão económica surge como uma das principais barreiras e, embora o setor reconheça a importância da transição, há dúvidas sobre o retorno do investimento. Em Portugal, 41% das partes interessadas consideram que a construção sustentável cria mais valor do que a construção tradicional, mas 20% entendem que gera valor equivalente e 26% acreditam que cria menos valor

No conjunto dos 30 países analisados, 47% das partes interessadas acreditam que a construção sustentável gera mais valor do que a construção tradicional, mas o próprio estudo sublinha que esta convicção é frágil, sobretudo na Europa e na Ásia-Pacífico. “Já não se trata apenas de afirmar as ambições da construção sustentável. É necessário demonstrar o seu valor”, lê-se no relatório, que aponta benefícios como o desempenho para os utilizadores e a comprovação da competitividade das soluções.  

É também por isso que a competitividade aparece no topo das prioridades, nomeadamente em Portugal, onde 36% dos inquiridos apontam a melhoria da competitividade dos materiais, produtos e soluções sustentáveis como uma das principais medidas para acelerar a transição. Seguem-se a sensibilização do público em geral, referida por 31%, e a regulamentação a favor da intensificação da renovação energética, indicada por 25%.

O barómetro deste ano dá ainda maior destaque à resiliência, num contexto de crescente frequência dos fenómenos meteorológicos extremos em que a construção sustentável é vista como instrumento de gestão de risco, preservação de valor económico e adaptação dos territórios. A resiliência, definida como a capacidade dos edifícios e infraestruturas resistirem a riscos climáticos, absorverem choques e preservarem valor ao longo do tempo, ganhou peso nas respostas globais.

O estudo qualitativo realizado junto de bancos comerciais, bancos de desenvolvimento e seguradoras mostra que a adaptação climática está a ganhar espaço, embora continue a ser difícil de integrar nas decisões de crédito, investimento e seguros. Ao contrário da redução de emissões, mais facilmente medida por indicadores padronizados, a resiliência depende de ganhos muitas vezes indiretos como menos perdas futuras, maior continuidade operacional e preservação do valor dos ativos.

Para que o conceito possa ganhar escala, aponta o barómetro, será preciso provar valor, reduzir incertezas e tornar visíveis os benefícios para quem projeta, financia, constrói e habita os edifícios. Transformar esta ambição em ação “é da responsabilidade coletiva de todos aqueles que projetam, financiam, regulam e habitam o ambiente construído”, aponta Benoit Bazin.

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