O Banco Europeu de Investimento (BEI) reforçou em 2025 o papel como “banco do clima” da União Europeia (UE), canalizando a maioria do seu financiamento para projetos ligados à transição energética e ambiental. Segundo o Relatório de Atividade 2025, 57% do financiamento total do Grupo BEI foi para projetos verdes, num ano em que a instituição atingiu um recorde de 100 mil milhões de euros em novos financiamentos.
“Quase 60% do financiamento recorde do Grupo BEI em 2025 foi para projetos verdes”, sublinha o documento, que detalha investimentos que vão desde grandes interligações elétricas e redes de armazenamento até energias renováveis, eficiência energética e tecnologias limpas. Só a área de clima e sustentabilidade ambiental somou 57 mil milhões de euros em compromissos, apoiando cerca de 190 mil milhões de euros de investimento verde.
A aposta reflete-se em 11,6 mil milhões de euros em redes e armazenamento, 9,8 mil milhões em renováveis e um recorde de 7,9 mil milhões em eficiência energética. O BEI liga esta estratégia à competitividade e à segurança do continente, considerando “um ‘no-brainer’ para a Europa reforçar a sua segurança e autonomia estratégica”.
Do lado dos mercados de capitais, o BEI emitiu 27,8 mil milhões de euros em obrigações verdes e de sustentabilidade, o maior volume de sempre, que representou 43,5% de todo o financiamento no ano. Desde 2007, o total acumulado chega já a 130,7 mil milhões de euros. “Como pioneiro da primeira obrigação verde, o BEI é um líder mundial em obrigações verdes e sustentáveis”, lê-se no documento.
No mapa de distribuição do investimento por país, o BEI indica que 3 mil milhões de euros foram aplicados em Portugal em 2025, o equivalente a 1% do PIB. O documento não detalha em que setores este montante foi distribuído, mas destaca o país num dos projetos na área da infraestrutura social, no qual está previsto um empréstimo de 1,3 mil milhões para habitação acessível, integrado no objetivo de apoiar a criação de cerca de um milhão de casas mais sustentáveis até 2030.
A liderança do BEI enquadra estes resultados na ambição de “alimentar a Europa, criar oportunidades e construir confiança para as gerações presentes e futuras”, lembrando que, para a instituição, a transição verde passou a ser um eixo central de crescimento, inovação e segurança económica.
Infraestruturas no centro da estratégia europeia
O reforço do papel do BEI no financiamento da transição energética acontece numa altura em que a Comissão Europeia está também a acelerar o investimento em infraestruturas críticas. Bruxelas anunciou, no final de janeiro, a aplicação de quase 650 milhões de euros em subvenções do Mecanismo Interligar a Europa para 14 projetos transfronteiriços nas áreas da eletricidade, redes inteligentes, armazenamento e hidrogénio, com o objetivo de reforçar a segurança energética e aumentar a competitividade da economia europeia.
“Uma União da energia forte e independente, que forneça energia limpa e barata aos consumidores, deve assentar em infraestruturas energéticas integradas e seguras”, apontou o comissário europeu da Energia e Habitação, Dan Jørgensen. “Os projetos que apoiamos financeiramente vão reforçar a competitividade e a segurança energética da Europa, colocando-nos numa trajetória estável rumo à independência”, acrescentou.