De acordo com um estudo internacional da KPMG, 79% das empresas do setor da energia já registaram melhorias de eficiência com a utilização de soluções de inteligência artificial (IA), num contexto em que os primeiros retornos financeiros começam também a ganhar expressão.
O relatório, baseado em entrevistas e inquéritos a 163 executivos seniores de empresas de média e grande dimensão em oito países, indica que 60% das organizações conseguiram um retorno do investimento superior a 10% nas iniciativas de IA já implementadas. Estes ganhos são atribuídos sobretudo à automatização de processos, à otimização de ativos e manutenção, bem como a melhorias no planeamento e na tomada de decisão.
Apesar destes resultados, a maturidade da adoção continua a ser desigual e apenas 13% das empresas dispõem de um centro de excelência para IA, uma estrutura dedicada à coordenação, governação e escalabilidade deste tipo de soluções. Ainda assim, 56% afirmam estar já a escalar projetos de IA.
O estudo identifica vários obstáculos à adoção plena da tecnologia, nomeadamente questões de segurança e privacidade, falta de competências internas, resistência à mudança por parte dos colaboradores e silos de dados que dificultam a integração de sistemas. A estes somam-se ainda preocupações éticas e regulatórias, referidas por 38% dos inquiridos.
“Para a IA escalar e entregar valor, as empresas de energia têm de repensar não apenas a tecnologia, mas todo o seu modelo operacional”, afirma Anish De, Global Head of Energy da KPMG International.
O impacto ambiental da IA é também uma questão relevante, em particular num setor intensivo como o da energia, como reportam 63% das empresas, que admitem dificuldades em alinhar o uso de IA com os seus objetivos de sustentabilidade. Por outro lado, 71% consideram a sustentabilidade um objetivo estratégico mais importante do que a IA.
Alguns executivos citados no estudo sublinham os constrangimentos financeiros na introdução de IA, um processo que consideram “dispendioso” e que obriga a “encontrar as soluções mais custo-efetivas dentro de um orçamento limitado”.
Sobre o futuro da tecnologia, o relatório aponta os agentes de IA, sistemas mais autónomos capazes de gerir fluxos de trabalho completos, como a próxima fase de evolução, mas alerta que o sucesso da transição dependerá de estratégias “AI-first”, infraestruturas robustas para os dados, modelos claros de governação e investimento contínuo.