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Simplificação do reporte reduz custos, mas levanta receios entre investidores

Revisão das normas europeias promete poupanças significativas para as empresas, que podem chegar aos 3,7 mil milhões de euros. No entanto, surgem alertas sobre a potencial perda de qualidade da informação ESG.

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A revisão dos European Sustainability Reporting Standards (ESRS) deverá traduzir-se numa redução expressiva dos custos de reporte para as empresas europeias, mas não sem levantar preocupações relevantes entre investidores e utilizadores de dados ESG. Esta é a principal conclusão da análise custo-benefício pedida pela EFRAG, que avalia o impacto das normas revistas face ao quadro original aprovado em 2023.

De acordo com o as poupanças acumuladas para as empresas poderão atingir até 3,7 mil milhões de euros entre 2027 e 2031, correspondendo a cerca de 34% dos custos de referência. Em termos anuais, a redução estimada ascende a 476 milhões de euros em 2027 e a 900 milhões em 2028, devendo depois estabilizar entre 747 e 805 milhões de euros por ano. “A análise identifica uma tendência global de redução de custos e benefícios claros”, assinala a EFRAG, que sublinha que os impactos variam consoante a dimensão e o contexto das organizações.

Este alívio resulta sobretudo da redução significativa dos dados obrigatórios, que diminuem 61% face ao originalmente definido, bem como de maior clareza na estrutura e interpretação das normas. Quase 90% das empresas que já reportaram ao abrigo da CSRD esperam uma redução dos custos internos recorrentes e cerca de 75% antecipam poupanças nos custos externos, como consultoria e auditoria.

Contudo, o relatório evidencia um contraste claro entre a perspetiva das empresas e a dos investidores. Entre os utilizadores de dados ESG, 55% consideram que a simplificação dos ESRS terá um impacto negativo na qualidade da informação. Quando analisado apenas o grupo de investidores e instituições financeiras, essa percentagem sobe para 67%, revelando um nível elevado de preocupação.

As principais reservas prendem-se com a perda de comparabilidade entre empresas e a redução de dados climáticos e ambientais considerados críticos. O relatório reconhece que “a redução do número de datapoints e do nível de detalhe pode, em certos casos, afetar a profundidade da análise e a abrangência da informação disponível para os utilizadores”.

Ainda assim, a maioria dos investidores não antecipa impactos negativos relevantes no acesso ao crédito, no custo de capital ou no financiamento verde. Pelo contrário, a EFRAG conclui que quaisquer efeitos sobre o acesso a financiamento sustentável serão “limitados, mas potencialmente positivos”.

O relatório sustenta ainda que os ESRS revistos “atingem um equilíbrio entre custos e benefícios consistente com os objetivos de política pública da CSRD”, reduzindo de forma significativa a carga administrativa sobre as empresas.

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