IMF – Peso argentino em mínimos históricos face ao euro

Peso argentino já recuou mais de 50% este ano face ao euro Eur/Usd testa níveis abaixo dos $1.1600; Sanções dos EUA ao Irão suportam preços do crude; Investidores preferiram iene e franco suíço ao ouro como ativos de refúgio.
Jornal de Negócios
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IMF - Informação de Mercados Financeiros 03 de setembro de 2018 às 11:18

Peso argentino já recuou mais de 50% este ano face ao euro
O Banco Central da Argentina subiu as taxas de juro para 60%, à medida que o Eur/Ars renovava máximos históricos em torno dos 48.3415 pesos. O presidente do país Mauricio Macri pediu ao FMI que adiantasse a entrega de fundos do empréstimo, no valor total de $50 mil milhões, tentando afastar os receios de que o país não irá cumprir com as suas obrigações de débito no próximo ano. O peso é a divisa com o pior desempenho a nível mundial, tendo recuado mais de 50% face ao euro este ano. Nos últimos dois dias, a moeda recuou em torno de 20%, mas conseguiu recuperar 10% após os comentários de Macri. Numa perspetiva técnica, o Eur/Ars quebrou a resistência dos 34.50 pesos. O MACD continua a apontar para uma valorização do par, apesar de o RSI em níveis overbought indicar que essa subida poderá não ser tão ampla. No entanto, os fundamentais estão a ser os principais condutores do movimento do câmbio, pelo que a análise técnica poderá ver ignorada os níveis atuais do MACD e do RSI.


Eur/Usd testa níveis abaixo dos $1.1600
O dólar seguiu pressionado no início da última semana com os rumores de um possível impeachment a Trump, após o chefe de campanha, Paul Manafort, ter sido condenado e o ex-advogado, Michael Cohen, ter dado uma declaração de culpabilidade, e pelo tom não tão bullish de Powell. EUA e México chegaram a acordo comercial bilateral, estando o foco agora voltado para o Canadá. Adicionalmente, o Banco Central da China tem vindo a fortalecer o yuan face ao dólar através de fixings diários.
Tecnicamente, o par quebrou em alta o canal descendente registado desde início de junho, à medida que o MACD dava um sinal de compra. Contudo, ao romper entrou em overbought e corrigiu. O Eur/Usd aparenta ter definido um topo para o curto-prazo, devendo o mesmo recuar a níveis abaixo dos $1.1600 e reverter a tendência para os próximos dias.

Sanções dos EUA ao Irão suportam preços do crude
A escalada das tensões entre EUA e China influenciou bastante o petróleo, na última semana, uma vez que sugere menor crescimento na Ásia, região que tem contribuído imenso para o aumento do consumo de combustíveis. A EIA confirmou uma subida significativa dos stocks de crude, quando se esperava uma queda dos mesmos. Contudo, a tensão entre EUA e Irão tem ajudado a manter os preços nos recentes níveis.
Tecnicamente, os preços seguem numa fase de consolidação abaixo dos $70. Segue aberto o espaço para um recuo rumo aos valores do mês passado, entre os $63-$66. A principal resistência segue nos máximos recentes a $75.40.

Investidores preferiram iene e franco suíço ao ouro como ativos de refúgio.
Apesar das recentes desvalorizações acentuadas de divisas de países emergentes como o Brasil, Argentina e África do Sul, o ouro não foi alvo de uma grande procura por parte dos investidores. Na realidade, o iene e o franco suíço foram bastante mais requisitados pelo mercado como ativos de refúgio. A própria desvalorização recente do dólar face ao euro também não despoletou uma procura mais acentuada pelo metal precioso que, sendo cotada na divisa dos EUA, estaria com um preço mais apetecível para os investidores detentores de euros.
A nível técnico, o ouro deu seguimento ao ressalto ocorrido em meados do mês de agosto. O MACD aponta para uma valorização da cotação do metal, pelo que será expectável um teste ao limite superior do canal descendente de curto prazo. Caso o quebre, abre espaço para um rally até aos $1300.

As análises técnicas aqui publicadas não pretendem, em caso algum, constituir aconselhamento ou uma recomendação de compra e venda de instrumentos financeiros, pelo que os analistas e o Jornal de Negócios não podem ser responsáveis por eventuais perdas ou danos que possam resultar do uso dessas informações. Caso pretenda ver esclarecida alguma dúvida acerca da Análise Técnica, por favor contactar a IMF ou o Jornal de Negócios.

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