Grito de golo e de revolta
É impossível saber o que será do Brasil durante os próximos 32 dias. A dúvida fica no ar: os protestos, as pilhagens e a violência esperados vão superar a imagem de nação apaixonada pelo futebol e encarada como grande anfitriã e que sabe, como nenhuma outra, fazer grandes festas? Certo é que se falará muito do Brasil e do seu povo no próximo mês. Para o bem ou para o mal. A festa começa hoje às 17h no Brasil (21h, em Portugal); a indignação, estima-se, não tem hora para acabar.
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Sessenta e quatro anos depois, o Mundial volta para "casa". Para muitos brasileiros, receber o evento é motivo de empolgação, de alegria, de orgulho; para boa parte, porém, o sentimento é de revolta. O clima de insatisfação com os investimentos do poder público na Copa intensificou-se nos últimos meses e voltou às ruas. Num país com segurança pública em crise, ensino precário, hospitais cheios e mal equipados, e índices de violência crescentes e alarmantes, os gritos contra os gastos públicos no Mundial, estimados em 26 mil milhões de reais (8,6 mil milhões de euros), foram amplificados pela actual situação económica menos favorável. Voltou o medo da inflação. E se a taxa de desemprego se mantém em níveis baixos, tal resulta mais do desalento dos brasileiros, que desistiram de procurar ocupação, do que da criação de novos postos de trabalho. As manifestações também ecoam mais alto por ser ano eleitoral.