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Virgolino Faneca oferece ferramenta investigativa ao detective Jaime Bunda

A PJ, sempre na vanguarda, proporciona a descoberta de novos mundos investigativos. Virgolino, sempre atento, reconhece o facto e disponbiliza a nova ferramente investigativa ao amigo Jaime Bunda.

Bruno Simão/Negócios
Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 01 de Junho de 2018 às 17:00
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Caro Jaime Bunda

Sabes que tenho uma transcendente admiração pela tua pessoa, derivado do facto de seres um detective com capacidades investigativas superlativas. No entanto, os enormes detectives sabem que nunca sabem tudo e, como tal, estão sempre disponíveis para aprender. O James Bond, que além de chá e martinis bebeu sofregamente os teus conhecimentos, é a prova provada desta asserção.

Por isso, Jaime, sei que vais encarar esta missiva como o mapa que te indicará o caminho para te transformares num detective ainda mais capaz de decifrar os enigmas que diariamente desafiam as tuas células cinzentas. Aliás, lembro-me daquele caso da muamba desaparecida que tu solucionaste com uma desenvoltura que fez Poirot erguer-se do caixão literário para te aplaudir entusiasticamente. Quando todos pensavam que a muamba da Gervásia tinha sido roubada pela vizinha Edma, as pistas nesse sentido eram avassaladoras, tu topaste logo que tinha sido o Pitucho, um cão com um palato apurado. Desta forma, evitaste um potencial crime de sangue, na medida em que no ínterim a Gervásia já tinha escondido uma faca na capulana, preparando-se para convidar a Edma para verem a telenovela Totalmente Demais no remanso da sua casa e lhe espetar a faca nas costas no momento em que Elisa fosse assediada por Dino, o padrasto malvado.

O que me preparo para revelar é uma ferramenta que tonará mais robusta a tua caixa de ferramentas investigativa, colocando-te ao nível da excepcionalidade. Essa ferramenta identifica-se pelo nome de Google e tem permitido alcançar resultados de primeira. Por exemplo, foi através do Google que a Polícia Judiciária portuguesa associou a empresa Primagest a Manuel Vicente, permitindo assim desencadear um processo que fez tremer as relações Portugal-Angola. "O que fizemos foi googlar aqueles nomes e recolhemos uma série de informação", revelou o inspector da PJ, Bruno Miguel, embora ressalvando (em meu entender com extrema despretensão) que "a verdade pode ser outra". É evidente que existem sempre uns desconfiados empedernidos, como o juiz deste processo, que se mostrou perplexo pelo facto de a ligação entre a Primagest e Manuel Vicente ter sido feita através de notícias da internet. O que queria o juiz? Que os inspectores fossem aos registos de constituição de empresas para confirmar a informação? Era o que faltava!

Portanto, é assim, Jaime. Mexe essa bunda e vai pedir ao teu tio que compre um computador e uma pen para te conectar ao mundo maravilhoso da internet. Em três penadas, chegarás a chefe dos serviços secretos angolanos, ou, se quiseres emigrar para Portugal, certamente terás um lugar de topo assegurado na PJ.

Um Google de jeito vale mais do que aquelas coisas científicas manhosas que a malta vê nos CSI e nas Investigações Criminais, além de ser substantivamente mais barata e permitir que um tipo vá petiscando na mesa enquanto labuta na descoberta da verdade com a ajuda dos incansáveis algoritmos. Dá-lhes com força, Jaime.


Um kandandu deste teu,

Virgolino Faneca


P.S.: Para quem ainda desconfia da excelência do Google, aqui vai a forma com esta ferramenta define Jaime Bunda. "Jaime Bunda, cujo apelido faz óbvia referência à sua anatomia, é membro de uma família tradicional angolana. Graças a uma rara capacidade de observação dos detalhes, e pela influência do primo, um figurão do governo, consegue o cargo de detective estagiário do serviço secreto angolano. (…) Pepetela costuma tecer em suas obras uma análise da história social e política angolana desde os tempos coloniais. Jaime Bunda, agente secreto, não é diferente. A história do investigador atrapalhado e, acima de tudo, uma parábola da organização social de Angola."

 

Quem é Virgolino Faneca

Virgolino Faneca é filho de peixeiro (Faneca é alcunha e não apelido) e de uma mulher apaixonada pelos segredos da semiótica textual. Tem 48 anos e é licenciado em Filologia pela Universidade de Paris, pequena localidade no Texas, onde Wim Wenders filmou. É um "vasco pulidiano" assumido e baseia as suas análises no azedo sofisma: se é bom, não existe ou nunca deveria ter existido. Dele disse, embora sem o ler, Pacheco Pereira: "É dotado de um pensamento estruturante e uma só opinião sua vale mais do que a obra completa de Nuno Rogeiro". É presença constante nos "Prós e Contras" da RTP1. Fica na última fila para lhe ser mais fácil ir à rua fumar e meditar. Sobre o quê? Boa pergunta, a que nem o próprio sabe responder. Só sabe que os seus escritos vão mudar a política em Portugal. Provavelmente para o rés-do-chão esquerdo, onde vive a menina Clotilde, a sua grande paixão. O seu propósito é informar epistolarmente familiares, amigos, emigrantes, imigrantes, desconhecidos e extraterrestres, do que se passa em Portugal e no mundo. Coisa pouca, portanto.



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