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A teia de corrupção brasileira

Em “Lava Jato”, Vladimir Netto revela como foi descoberto o maior esquema de corrupção do Brasil, que delapidou a Petrobras e chegou às altas esferas do país. O livro inspirou a série da Netflix “Mecanismo”.

Filipa Lino flino@negocios.pt 21 de Abril de 2018 às 18:00
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Vladimir Netto
Lava Jato
Desassossego
378 páginas, 2018


O Brasil não vai ficar igual depois da Operação Lava Jato. Esta é a convicção do jornalista brasileiro Vladimir Netto. "A corrupção não vai acabar, mas agora fica mais difícil cometer um crime desta natureza e ficar impune". O autor do livro "Lava Jato", lançado há dois anos no Brasil e que agora chega a Portugal, conta toda a história por trás da maior operação de combate à corrupção no Brasil. O esquema de pagamento de subornos girava em torno da petrolífera estatal, a Petrobras , e envolveu as altas esferas políticas brasileiras. Os acontecimentos estão relatados como um filme de acção. Mas o repórter da Rede Globo em Brasília, e vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, garante que no seu livro não há nada de ficção.

Todos os factos foram confirmados com documentos ou, na ausência destes, com quatro ou cinco fontes, refere o autor. "Foram mais de 135 horas de entrevistas gravadas, fora o resto: WhatsApp, e-mails, conversas rápidas ou por telefone." Na realidade, "foi um trabalho muito intenso, por isso é que demorei 17 meses a escrever". A prova de que fez o seu trabalho como mandam as regras do jornalismo, diz, é que "nenhuma informação foi contestada". E é preciso lembrar que estavam em causa "as pessoas mais poderosas do Brasil", com bons advogados e muita influência.

O escândalo que abalou o Brasil está longe de terminar. No comando da megaoperação Lava Jato está o juiz federal Sérgio Moro, que a Bloomberg considerou como o 10.º líder mais influente do mundo. Vladimir Netto refere que as autoridades estão empenhadas em "levar a investigação até onde puderem". E, se algo já mudou no país, é que agora há gente atrás das grades. A entrega às autoridades do antigo Presidente Lula da Silva é talvez o episódio mais mediático desta operação. Mas Vladimir não acredita na tese de que há um ataque político ao Partido dos Trabalhadores (PT) e, em particular, a Lula, por este se encontrar em clara vantagem na corrida às eleições presidenciais de Outubro.

A Lava Jato envolve todas as forças políticas, garante. "Há políticos de 14 partidos que estão a ser investigados", num universo de perto de 25 com representação parlamentar. Além do ex-Presidente Lula, estão presos o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o antigo presidente da câmara de deputados, Eduardo Cunha, ambos do PMDB, o partido do Presidente Temer.

"Nunca vi um direccionamento político na investigação. O que vi foi um esforço de luta contra a corrupção que estava instalada no seio do sistema político e isso atingiu todos os partidos", afirma o jornalista. O que a operação "destapou" não foi propriamente uma surpresa, mas "superou todas as expectativas" porque não se sabia que a corrupção no país "era tão grande, tão espalhada, tão profunda."

E pensar que tudo começou com um detalhe. "Se não fosse um e-mail com uma nota fiscal de um carro de luxo, os investigadores não tinham chegado ao Paulo Roberto Costa", o antigo director de abastecimento da Petrobras que, ao abrigo da "delação premiada", que em Portugal se chama "colaboração premiada", abriu a caixa de Pandora.

A realidade da Lava Jato "supera a ficção em muitas coisas", diz o autor. Foi isso que o fascinou na história. Por isso, não é de estranhar que o cineasta José Padilha tenha comprado os direitos de adaptação do seu livro para fazer a série da Netflix "Mecanismo", que mistura a realidade com a ficção. Mas Vladimir avisa: "Quem quiser saber a verdade, tem mesmo de ler o livro", diz entre risos.

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