“Partida”, o último livro de Julian Barnes
A viver com um cancro “incurável, mas tratável”, um dos escritores mais populares das últimas décadas despede-se dos leitores na forma de um livro que mistura ensaio, memórias e um romance quase real.
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No fim de semana passado, pelo anfiteatro ao ar livre dos jardins da Gulbenkian corriam crianças e pássaros. Tinha começado a primavera, havia casais sentados, grupos de amigos e pessoas a lerem livros. Uma delas lia um livro de Julian Barnes. Salvo erro, não era o último do romancista inglês, o “Partida”, agora traduzido para português e onde nas páginas finais, entre considerações sobre as últimas palavras de escritores, as finalidades insólitas dos romances e a velhice e decadência física do seu cão (que compara com a sua), Barnes deixa umas palavras finais aos seus leitores: “Quando me perguntam sobre o modo como vejo o nosso relacionamento, respondo que não sou um escritor didático. Não digo como devem pensar ou viver. […] Em vez disso, prefiro uma imagem do escritor e do leitor na esplanada de um café numa cidade não identificada de um país não identificado. O tempo está agradável e temos uma bebida gelada à nossa frente. Lado a lado, olhamos para as muitas e variadas expressões de vida que passam diante de nós.”