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BBVA prevê travagem do PIB no 2.º trimestre, mas revê em alta crescimento anual

Os analistas do BBVA ficaram surpreendidos pela positiva com o andamento da economia portuguesa no primeiro trimestre. O PIB vai travar ligeiramente no segundo trimestre, mas a previsão anual foi melhorada.

Miguel Baltazar
22 de Julho de 2019 às 13:56

O BBVA era uma das instituições mais pessimistas com o crescimento económico de 2019 em Portugal. Isso mudou com a divulgação dos números do primeiro trimestre que surpreenderam "pela positiva". Na nota de research sobre a economia portuguesa divulgada esta segunda-feira, 22 de julho, o banco revê em alta o crescimento anual para 1,7% tanto em 2019 como em 2020.

No segundo trimestre, com base nos dados mais recentes, os analistas do banco espanhol antecipam um crescimento de 0,4% em cadeia (do primeiro para o segundo trimestre), abaixo dos 0,5% registados no primeiro trimestre. Em termos homólogos, a variação do PIB deverá ser de 1,6% entre abril de junho deste ano, também abaixo dos 1,8% registados entre janeiro e março.

O BBVA prevê que o consumo privado continue "positivo" durante o segundo trimestre e que o investimento passe por um "ajuste generalizado", "após o forte aumento no trimestre anterior". Aliás, foi essa aceleração do investimento que ditou, em grande parte, a surpresa no arranque do ano.

"O progresso do PIB português no início do ano deveu-se especialmente ao dinamismo da procura interna, que contribuiu com +2,2 pontos percentuais para o crescimento, sendo esta a maior contribuição desde o início da recuperação", escrevem os analistas do BBVA, explicando que o contributo do investimento compensou não só o maior desequilíbrio entre exportações e importações como também a travagem do consumo privado.

Este desempenho da economia portuguesa na primeira metade do ano levou os analistas do BBVA a rever alta o crescimento anual de 1,5% para 1,7% em 2019, semelhante à previsão da Comissão Europeia mas abaixo dos 1,9% previstos pelo Governo. Para 2020 a previsão é igual, contando que a procura externa em recuperação dê mais dinamismo às exportações. 

Os preços do petróleo mais baixos e um ambiente de juros ainda mais reduzidos contribuem também para esse cenário: "Espera-se que a forte queda observada nas taxas de juro que alimentam a economia portuguesa melhore o custo do financiamento às famílias, empresas e setor público, o que deveria apoiar o crescimento da procura interna durante os próximos trimestres", lê-se na nota. 

Além do PIB, caso a economia continue a comportar-se como até agora, o BBVA vê o défice orçamental a reduzir-se até alcançar "um equilíbrio (0% do PIB) no final do ano". O Executivo prevê um défice de 0,2% do PIB em 2019 com o excedente só a chegar no próximo ano.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) deverá publicar os dados sobre o PIB do segundo trimestre no dia 14 de agosto com a divulgação da estimativa rápida.

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