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Energias renováveis serão decisivas na redução das emissões para a atmosfera

O gás natural terá um papel relevante na transição para as energias mais verdes

José Miguel Dentinho 30 de Maio de 2011 às 11:13
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A economia mundial consumirá, em 2020, recursos equivalentes aos de dois planetas Terra, segundo alerta o relatório "Technology Outlook 2020" desenvolvido pela empresa DNV, especializada em gestão de riscos.

De acordo com o relatório, áreas como a China, Índia, Austrália e o Médio Oriente, sofrerão com secas acentuadas. A fome irá expandir-se e o nível médio das águas dos oceanos continuará a subir.

Contudo, apesar da projecção ser catastrófica, também salienta que as indústrias de baixo carbono irão prosperar. A União Europeia e a China usarão fontes renováveis para gerar um quinto da energia que consomem, e cerca de 8% de toda a energia produzida no mundo virá de fontes eólicas.

Um dos problemas estimados pelo estudo diz respeito à transição rumo a tecnologias de baixo carbono, que não será rápida o suficiente para atingir os cortes necessários das emissões dos gases-estufa. A dependência face ao petróleo está, assim, ainda longe de chegar ao fim.

As previsões da Agência Internacional da Energia vão no sentido de esta fonte de energia continuar a integrar mix energético no futuro mais próximo. Mas isso, por si só, não será suficiente, porque é essencial que haja maior maior eficiência energética para o mundo poder continuar a evoluir. É essa a tese defendida por Nobuo Tanaka, presidente executivo da Agência Internacional da Energia (AIE).

Segundo as projecções da Agência Internacional de Energia, a população mundial deverá passar, dos actuais seis mil milhões, para nove mil milhões em 2050, com consequências directas no aumento do consumo energético.

Nobuo Tanaka considera que a hegemonia do petróleo e do gás natural se vai manter nos próximos 30 anos, mas destaca a necessidade de reduzir, em cerca de 50%, as emissões de dióxido de carbono (CO2) ao longo dos próximos 20 anos. Salienta que "serão necessários investimentos massivos nas energias renováveis" para que isso aconteça.

Segundo o presidente da AIE, apesar de haver vontade e empenho político em vários países, as nações desenvolvidas podem fazer ainda mais, sobretudo para aumentar a capacidade de capturar e armazenar CO2. Este responsável acredita que países que irão ser grandes poluidores no futuro, como a China e a Índia, irão evoluir positivamente nesta área. Mas teme que os governos não tomem medidas de prevenção, apesar do aumento da procura de energia projectado para 2050 ser de 84%. Este crescimento deve sentir-se especialmente no que toca ao carvão, e registar-se principalmente nas economias emergentes. Mas o presidente da AIE não tem dúvidas: para que se concretize a redução do CO2 em 50%, "a procura terá de baixar". Para o evitar é necessário que os países desenvolvidos colaborem e apoiem os países em desenvolvimento, para que optem por fontes energéticas alternativas.

Nobuo Tanaka acredita que a dependência do gás natural, actualmente de 81%, pode descer para 49%. Mas adianta que este combustível "vai posicionar-se como uma fonte muito importante no futuro próximo" e ter "um papel relevante na transição para as energias mais verdes".

Tornar o uso da energia mais eficiente passa por repensar a forma de planeamento das cidades. Também por modelos de gestão integrada da mobilidade urbana e pela promoção de novas tecnologias automóvel e das respectivas fontes energéticas e por uma mudança de comportamentos em relação à forma como encaramos o consumo energético, nas nossas casas e em particular perante o automóvel.

São, assim, necessárias cidades mais compactas e bem servidas de transportes públicos e estratégias de mobilidade integradas onde o automóvel complemente os restantes modos. Se não percebermos que a mobilidade não é um fim, mas um meio para chegarmos aos nossos destinos, dificilmente teremos um futuro sustentável.





Sabia que?

Portugal é líder em energias renováveis

Cerca de metade da electricidade que produzimos é proveniente de energias renováveis.

Temos um dos maiores parques eólicos da Europa...

Com 120 turbinas, o parque eólico do Alto Minho tem 240 MW de capacidade instalada, com uma previsão anual de produção de 530 GWh. O suficiente para abastecer 160 mil casas.

... E uma das maiores centrais fotovoltaicas do mundo

A central de energia solar da Amareleja, em Moura, tem capacidade para abastecer as necessidades energéticas de 30 mil famílias, ou, em termos técnicos, para a produção de 93 mil MWh por ano. Esta central evita a emissão anual de mais de 89 mil toneladas de CO2 para a atmosfera.

Temos um ambicioso plano nacional de barragens

O Plano Nacional de Barragens prevê que Portugal atinja em 2020 uma capacidade hidroeléctrica superior a 7000 MW e que os novos aproveitamentos hidroeléctricos assegurem uma potência instalada adicional na ordem dos 2.000 MW. Este plano representa acção, decisão e visão de médio e longo prazo e mostra que Portugal quer aproveitar o seu potencial hidroeléctrico.

Existe um plano nacional para a eficiência energética

O Plano Nacional para a Eficiência Energética prevê a redução do consumo de energia em 10% até 2015. A estratégia para atingir estes objectivos contará com os contributos dos vários sectores de actividade, com o Estado a liderar em termos de eficiência, com uma economia induzida de cerca de 12%.

Fomos um dos 4 países da União Europeia que promoveu a Directiva 2002/91/CE

Desde Janeiro de 2006, é obrigatória a instalação de painéis solares em novos edifícios, o que torna possível reduzir eficazmente o consumo de energia no sector da habitação.
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