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Mau tempo: Marcelo defende criação de comissão técnica independente

O Presidente da República defendeu que, após o período de resposta às consequências da passagem da depressão Kristin, deve ser criada uma comissão independente para a "avaliação e preparação para o futuro"

Marcelo Rebelo de Sousa justificou a criação da comissão pelo 'desafio novo'.
Marcelo Rebelo de Sousa justificou a criação da comissão pelo "desafio novo". Estela Silva/Lusa
12:11

O Presidente da República defendeu este sábado a criação de uma comissão técnica independente para fazer uma avaliação da passagem da depressão Kristin por Portugal continental.

Durante uma visita ao parque de campismo da Figueira da Foz, no distrito de Coimbra, Marcelo Rebelo de Sousa justificou a necessidade desta comissão por se tratar de "um desafio novo".

Na sua opinião, terminado o "período crítico de resposta", deve ser constituída esta comissão, envolvendo Governo e Assembleia da República e "recorrendo a independentes". "Foi o que aconteceu na altura dos incêndios, para todos os partidos participarem, para haver uma avaliação que não é meramente técnica do funcionamento de um sistema, mas é de avaliação e preparação para o futuro", frisou.

Estas afirmações do Chefe de Estado surgiram na sequência de uma pergunta dos jornalistas ao secretário de Estado Rui Rocha sobre a sugestão deixada pelo candidato presidencial André Ventura de haver uma "profunda auditoria" à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

"Estou convencido de que nós precisamos mesmo de uma auditoria, sobretudo na Proteção Civil, porque a Proteção Civil tornou-se, nos últimos anos, - e nestas tragédias devemos ser mais exigentes - um reduto de 'boys and girls' do PSD e do PS", afirmou André Ventura, durante uma sessão de esclarecimento com apoiantes na Póvoa de Varzim.

Sobre as medidas a tomar relativamente às consequências das cheias, atendendo à previsão de chuva em todo o território continental, Marcelo Rebelo de Sousa congratulou-se pelo sentido cívico das populações.

O Presidente da República alertou que "as zonas mais baixas podem vir a sofrer consequências a partir do começo da próxima semana", e que as populações poderão ter "uma folga" para se prepararem, mas que não se sabe de quanto tempo é.

"Na vida deve-se sempre ter baixas expectativas, para ver os cenários mais complicados, porque se forem menos complicados é uma boa notícia", frisou.

Defendendo "uma estratégia de prevenção", Marcelo Rebelo de Sousa pediu: "temos de preparar, antecipar, para logo que haja um alerta poder agir".

Durante uma conversa com o secretário de Estado da Proteção Civil sobre os danos provocados pela depressão Kristin, Marcelo admitiu que, atendendo ao facto de se tratar de uma situação nova, não se sabe bem o tipo de cobertura que os seguros podem dar.

"Tem que se definir bem a fronteira daquilo que vai ser a responsabilidade pública e daquilo que as companhias de seguro ainda cobrem", sublinhou.

Além do parque de campismo, Marcelo Rebelo de Sousa visitou a Rua do Pinhal, onde se situa o edifício da antiga Universidade Internacional (que estava a ser reconvertido para centro de formação do IEFP), que sofreu danos elevados.

A visita inclui também a Zona Industrial da Gala, concretamente a empresa de derivados de resina United Resins, que viu metade do seu armazém e 80% do seu parque fotovoltaico destruídos.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

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