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Vem aí vaga de calor em Portugal. Especialistas alertam para incêndios

A onda de calor que afeta países como a Grécia deve chegar a Portugal na segunda metade de agosto. Especialistas avisam para a probabilidade de incêndios florestais, mas afastam situação dramática semelhante à de 2017.

Nuno André Ferreira
Rita Atalaia ritaatalaia@negocios.pt 05 de Agosto de 2021 às 12:00
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A onda de calor que está a atingir a Europa deverá chegar em breve a Portugal. Temperaturas muito elevadas que potenciam o risco de incêndio, como tem acontecido em países como a Grécia ou a Turquia. Os especialistas alertam para este perigo em território nacional, mas afastam uma situação tão grave como aquela que se viveu em 2017 no país. 

As previsões apontam para que esta onda de calor atinja Portugal na segunda quinzena de agosto. As temperaturas deverão mesmo ultrapassar os 40 graus em algumas zonas do país. 

"Há o risco de incêndio", admite Paulo Fernandes, professor e investigador do departamento de ciências florestais da UTAD, em declarações ao Negócios. Ainda assim, recorda que arderam muitos hectares nos incêndios de há quatro anos, sobretudo em Pedrógão Grande e no Interior Norte.

De acordo com este especialista, os efeitos destes graves incêndios "vai desaparecendo, mas até oito anos há um efeito". E "quatro anos é pouco tempo", travando situações mais graves, acredita.

Nesse sentido, Paulo Fernandes afasta que se vá viver este ano uma situação semelhante à de 2017, não excluindo, no entanto, que localmente haja incêndios com alguma dimensão, como tem acontecido todos os anos.  

Gestão da floresta ainda fica aquém

Já Domingos Xavier Viegas, que coordenou o relatório independente sobre os incêndios de Pedrógão, considera que "houve uma melhoria clara desde 2017" em Portugal. Sobretudo no que toca à "gestão da limpeza em volta das casas, não apenas por força da lei, mas também pela compreensão e sensibilização das pessoas". E isso pode ser determinante para evitar a destruição de habitações.

Em declarações à TVI, o especialista em incêndios florestais diz que falta, porém, "a gestão da floresta num seu todo, que os espaços florestais sejam melhor geridos, que haja um melhor ordenamento e que, quando se façam novas plantações, se veja o que se está a fazer". "As coisas não podem continuar a ser como eram no passado", acrescenta o investigador. 

Em junho de 2017, o incêndio florestal na região de Pedrógrão Grande provocou 66 vítimas mortais e deixou feridas mais de 250, além de ter destruído cerca de 500 casas. Em outubro desse ano, 
já depois da chamada época crítica de incêndios, registou-se o pior dia desse ano em número de fogos (mais de 500), tendo as chamas atingido particularmente 27 concelhos da região Centro, sobretudo os distritos de Viseu, Guarda, Castelo Branco, Aveiro e Leiria.


Na madrugada de 16 de outubro de 2017 morreram 45 pessoas e cerca de 70 ficaram feridas devido às centenas de incêndios, que destruíram total ou parcialmente cerca de 800 habitações permanentes, quase 500 empresas e extensas áreas de floresta.

Incêndios fustigam Europa 

De volta ao presente, de acordo com Xavier Viegas, "o que estes incêndios [na Europa] nos estão a mostrar é que, com as alterações climáticas, os incêndios tendem a ser cada vez mais frequentes, ocorrerem em regiões do planeta onde não eram tão frequentes e a terem intensidades cada vez mais elevadas".

A Grécia está a ser atingida pela "pior vaga de calor" desde há mais de 30 anos, alertou já o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis. Uma vaga que levou vários incêndios a deflagrar, especialmente na ilha de Rodes e no noroeste do Peloponeso, provocando a destruição de, pelo menos, três dezenas casas, armazéns agrícolas e estábulos.

Quase 13.500 hectares arderam já no país mediterrânico desde o início deste ano, o que compara com uma média de 7.500 hectares que se registaram nesta fase do ano entre 2008 e 2020.

Também a Turquia está a registar os piores incêndios da última década, com 95.000 hectares queimados desde janeiro. De acordo com dados divulgados pela União Europeia, citados pela Lusa, o país foi devastado por 133 incêndios desde o início do ano, o que compara com uma média de 43 fogos entre 2008 e 2020.


Por outro lado, Itália contabilizou centenas de fogos florestais no último fim de semana, principalmente no sul do país, enquanto em Espanha os bombeiros lutaram contra um incêndio perto do reservatório de San Juan, a cerca de 70 quilómetros de Madrid.

Do outro lado do Atlântico, também os EUA foram afetados por um incêndio de grandes dimensões, mais concretamente no estado do Oregon. Começou no início de julho e destruiu uma área que equivale a três mil vezes o tamanho do Vaticano.

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