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Governo decreta situação de calamidade nas zonas mais afetadas pelo mau tempo

Acompanhe os desenvolvimentos desta quinta-feira relativamente aos estragos e condicionamentos provocados pelo mau tempo em diferentes regiões do país.
Ferreira do Zêzere pede estado de calamidade ao Governo. Pedrógão apela ao racionamento de água
Carlos Barroso / Lusa - EPA
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há 24 min.10h48

Decretada situação de calamidade nas zonas mais afetadas pela tempestade Kristin

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Já foi decidido nesta quinta-feira, em reunião do Conselho de Ministros, que ainda está decorrer, que vai ser decretada a situação de calamidade nas zonas mais afetadas pela tempestade Kristin.

O primeiro-ministro Luís Montenegro vai, ainda nesta quinta-feira, visitar as zonas afetadas nos distritos de Leiria e Coimbra.

Num comunicado enviado pelo gabinete do primeiro-ministro, é ainda dito que foi cancelada a agenda externa do Montenegro, "nomeadamente as viagens a Andorra e à Croácia".

Os líderes de algumas câmaras municipais já tinham feito apelos públicos para que o Governo decretasse a situação de calamidade. São os casos de Figueiró dos Vinhos e de Ferreira do Zêzere. "Estamos, neste momento, completamente desesperados e não sabemos o que é que podemos fazer", adiantou o presidente de Figueiró dos Vinhos, nesta quinta-feira, em declarações à agência Lusa. O concelho tem "um rasto de destruição por todo o território", adiantou o autarca.

(Notícia atualizada às 11:03 horas com mais informação)

09h55

Presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos pede socorro

O presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria, pediu esta quinta-feira socorro e a declaração de calamidade, e alertou que o concelho, devido ao mau tempo, está "a viver um dos piores momentos da sua história".

"Estou a ligar do telefone satélite dos bombeiros porque, efetivamente, não temos comunicações. Nenhuma rede móvel funciona nesta terra, neste concelho. Nós não temos possibilidade nenhuma de falar com o exterior e estamos neste momento a pedir socorro", afirmou à agência Lusa Carlos Lopes.

Carlos Lopes disse esperar que este pedido de socorro "possa chegar a todos aqueles que têm responsabilidades neste país, na área da Proteção Civil e na área da segurança das pessoas".

"Estamos, neste momento, completamente desesperados e não sabemos o que é que podemos fazer", adiantou.

Segundo o autarca, o concelho tem "um rasto de destruição por todo o território".

O concelho "não tem comunicações, não tem energia", tem, neste momento, "água nas freguesias para mais cerca de 12 horas" e "grandes dificuldades em termos daquilo que é a manutenção dos lares" de idosos, alertou.

"Estamos completamente isolados. Figueiró dos Vinhos considera-se completamente isolado do resto do distrito, da região e do país", declarou o presidente do município, apelando para que o Governo "olhe para este território e também consiga, de alguma forma, equacionar a possibilidade de decretar o estado de calamidade".

09h55

PCP pede declaração de calamidade e apoios imediatos às populações

Fernando Veludo / Lusa - EPA

O secretário-geral do PCP defendeu esta quinta-feira no Tramagal, Abrantes, que o Governo deve ponderar declarar o estado de calamidade nas zonas mais afetadas pelo mau tempo e avançar sem demora com apoios imediatos a populações e empresas.

Em declarações à agência Lusa, no Tramagal, distrito de Santarém, Paulo Raimundo começou por apresentar as condolências às famílias das vítimas, realçando que "o país enfrentou um fenómeno com uma intensidade que há muito não se via, particularmente em algumas regiões".

À margem de uma ação junto à porta da fábrica da Mitsubishi Fuso, em contacto com trabalhadores numa iniciativa contra a proposta de pacote laboral, o dirigente comunista sublinhou a necessidade de identificar rapidamente os danos causados pela intempérie.

"Muita gente ficou sem habitação, há empresas paradas por razões da intempérie. É preciso identificar rapidamente esses problemas e o Governo não pode enrolar nas medidas que se impõem já, de apoio e de garantias, em articulação com as autarquias para responder no concreto", afirmou.

Paulo Raimundo referiu que o PCP já questionou o Governo sobre a resposta à situação e criticou a hesitação quanto à eventual declaração do estado de calamidade.

"Hoje ouvimos notícias de que não se pode decretar o estado de calamidade por esta ou por aquela razão. Eu acho que depende da dimensão do que aconteceu e do que se vai conhecendo a cada hora que passa. O Governo devia ponderar se sim ou não decretar", defendeu.

09h19

Queda de árvore esmaga carro e corta EM 530 no concelho de Montemor-o-Novo

A queda de uma árvore de grande porte esmagou esta quinta-feira um carro no concelho de Montemor-o-Novo, distrito de Évora, obrigando ao corte da Estrada Municipal (EM) 530, informou o presidente da junta de freguesia de Cortiçadas de Lavre.

De acordo com Augusto Pascoal, o condutor do veículo saiu ileso, depois de uma árvore de grande porte ter tombado e deixado o seu carro, especialmente na parte traseira, "completamente esmagado".

"A árvore de grande porte caiu por volta das 07:00, na Estrada Municipal 530, que liga Cortiçadas de Lavre a Vendas Novas. Caiu na zona da herdade de Ferrarias", descreveu.

Segundo o autarca, esta é uma estrada municipal que tem diariamente "muito trânsito".

"A GNR e a Proteção Civil estão lá, bem como os serviços da Junta de Freguesia, para retirar a árvore", concluiu.

09h18

Câmara de Pedrógão Grande apela ao uso racionado de água

A Câmara de Pedrógão Grande, que já ativou o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil, apelou esta quinta-feira ao uso responsável e racionado da água, na sequência da passagem da depressão Kristin.

Sem energia elétrica desde a madrugada de quarta-feira, o município de Pedrógão Grande tem estado igualmente sem comunicações móveis.

Numa nota nas redes sociais publicada hoje às 08:00, esta Câmara do distrito de Leiria lembrou que, "tendo em conta a falha da rede elétrica, poderão ocorrer constrangimentos no abastecimento público de água, situação que será restabelecida com a maior brevidade possível".

Nesse sentido, apelou a que não haja consumos excessivos.

"As principais vias encontram-se desobstruídas, nomeadamente IC8, EN2, EN350, ER236, EN236-1 e CM1160, ainda que com limitações e presença de obstáculos em vários locais. As restantes vias secundárias ainda apresentam constrangimentos, encontrando-se as equipas no terreno a proceder às intervenções necessárias".

A Câmara disse ainda que, "não sendo possível garantir, neste momento, condições de segurança, e desconhecendo-se quando o fornecimento de energia será totalmente restabelecido, as escolas do concelho manter-se-ão encerradas durante o dia de hoje".

09h17

Ferreira do Zêzere pede ao Governo que decrete estado de calamidade

A Câmara de Ferreira do Zêzere vai pedir ao Governo que decrete o estado de calamidade no concelho, na sequência dos prejuízos provocados pela passagem da depressão Kristin, o terceiro município a fazê-lo, depois de Leiria e Nazaré.

Em comunicado, a autarquia diz que a dimensão e gravidade dos danos ultrapassam a capacidade de resposta normal do município e considera indispensável a ativação de "mecanismos extraordinários de apoio".

O concelho de Ferreira do Zêzere, no distrito de Santarém, está desde a manhã de quarta-feira sem eletricidade e redes de comunicação devido à destruição de infraestruturas essenciais, incluindo antenas de telecomunicações e centenas de postes de eletricidade de baixa, média e alta tensão, e não tem ainda perspetivas de resolução.

A passagem da depressão provocou a queda de milhares de árvores em todo o concelho, principal causa da obstrução generalizada das vias principais, secundárias, caminhos municipais e acessos a habitações isoladas, comprometendo a mobilidade e exigindo "esforços imensuráveis" para acesso a populações vulneráveis e para a necessária prestação de apoio, refere a nota.

A Câmara lembra igualmente que as fortes rajadas de vento destelharam total ou parcialmente coberturas de habitações, comprometendo os bens das famílias.

08h37

Ainda há 450 mil pessoas sem eletricidade

Às 08:00 horas desta quinta-feira, 450 mil pessoas ainda estavam sem eletricidade, segundo uma nota informativa da E-REDES. A maior parte dos afetados estão no distrito de Leiria – 300 mil pessoas –, enquanto os restantes 150 mil portugueses sem luz estão espalhados por outras zonas do país afetadas pela tempestade Kristin, mas com destauqe para Santarém, Coimbra e Castelo branco.

"As condições metereólogas mantêm-se adversas, o que motiva o aparecimento de avarias em outras zonas do país para além de Leiria", lê-se na informação da E-REDES.

A empresa tem 1.200 operacionais no terreno para restabelecer as ligações elétricas nas zonas afetadas.

08h29

Região de Leiria com dezenas de pequenas inundações

O Comando sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria regista esta quinta-feira "algumas dezenas de ocorrências relacionadas com pequenas inundações" por falta de telhados em habitações devido à depressão Kristin.

"A esta hora [06:45] começam a surgir algumas dezenas de ocorrências relacionadas com pequenas inundações, motivadas não pela chuva excessiva, mas, principalmente, pela falta de telhados" em habitações, afirmou à agência Lusa o 2.º comandante sub-regional, Ricardo Costa.

Segundo Ricardo Costa, haverá "muitas centenas e, eventualmente, milhares de casas que terão problemas nos telhados".

"As pessoas estão a pedir ajuda, tendo em conta que chove continuamente, não muito forte, mas está a causar muitos danos nas habitações", referiu.

Explicando que "são situações em que não é fácil haver uma intervenção dos bombeiros, porque o nível de água dentro das habitações é muito baixo", Ricardo Costa garantiu, contudo, que "estão a ser sinalizadas".

"Nas mais emergentes ou em que a quantidade de água assim o justifica, são despachados meios, mas, neste momento, estão a ser definidas prioridades e é nisso que continuamos a trabalhar", declarou.

08h26

Proteção civil registou 192 ocorrências entre as 00:00 e as 08:00

Carlos Barroso / Lusa - EPA

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registou 190 ocorrências, entre as 00:00 horas e as 08:00 horas relacionadas com o mau tempo, a maioria na região de Coimbra e Leiria, disse à Lusa José Miranda.“Entre as 00:00 horas e as 08:00 horas foram registadas 192 ocorrências, 79 das quais quedas de árvores, 62 inundações de via e 28 quedas de estruturas”, adiantou José Miranda, da ANEPC, acrescentando que esta noite, comparativamente ao dia de quarta-feira, foi mais calma.

07h47

Seis desalojados na Batalha e rede Siresp deixou de funcionar

O mau tempo registado na quarta-feira provocou seis desalojados no concelho da Batalha, onde a rede Siresp deixou de funcionar, afirmou à agência Lusa o presidente daquele município do distrito de Leiria.

"O Siresp [Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal] funcionou de manhã e à tarde deixou de funcionar. Nunca mais voltou a funcionar, a não ser em algumas zonas em São Mamede", disse André Sousa.

O autarca da Batalha, que falava à Lusa depois das 22:00 horas de quarta-feira a partir de Fátima, no concelho vizinho de Ourém, para onde se deslocou para ter rede de telemóvel, precisou que "a rede Siresp funcionou desde as 05:00 até às 11:00, 12:00".

"A partir daí, deixou de funcionar completamente, a não ser em algumas zonas em São Mamede", reafirmou.

Destacando que a "principal notícia" é que o concelho não registou vítimas, o presidente da Câmara referiu que há "seis desalojados, mas todos eles encontraram solução".

07h45

Alvaiázere com "cenário catastrófico"

O presidente do Município de Alvaiázere disse que o concelho tem um "cenário catastrófico" e referiu que foi sem apoio regional ou nacional que os agentes locais da Proteção Civil responderam ao embate da depressão Kristin.

"Em Alvaiázere, temos um cenário catastrófico com centenas de habitações muito danificadas estruturalmente, algumas pessoas desalojadas", afirmou João Paulo Guerreiro, na quarta-feira, pelas 23:00 horas, em conversa telefónica com a Lusa a partir de Leiria, onde conseguiu ter rede de telemóvel.

De acordo com João Paulo Guerreiro, na quarta-feira conseguiu-se desobstruir estradas, "das principais até às secundárias", mas, ainda assim, "ficaram [vias] muito secundárias" por desimpedir.

"Montámos uma zona de acolhimento que, neste momento, está com cinco pessoas, com apoio médico, com apoio psicológico, e estamos, infelizmente, sem eletricidade e sem comunicações", referiu o autarca.

O presidente da Câmara adiantou que a "principal prioridade é terminar os trabalhos de remoção das dezenas de milhares de árvores caídas", assim como "manter a segurança das pessoas e restabelecer a normalidade na eletricidade e na comunicação".

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