Presidenciais: Carta de Cotrim a Montenegro e "inoportunidade" do Conselho de Estado agitam campanha
A carta enviada por João Cotrim Figueiredo ao primeiro-ministro marcou esta sexta-feira o dia de campanha para as eleições presidenciais, também dominado por críticas à realização do Conselho de Estado.
"Há alguns comportamentos do candidato da Iniciativa Liberal que me parecem cair no ridículo, serem completamente ridículos", declarou hoje Luís Marques Mendes, acusando Cotrim Figueiredo de andar aos ziguezagues" e de parecer "um catavento".
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O candidato apoiado por PSD e CDS-PP referia-se à carta que o antigo líder da IL enviou na quinta-feira ao primeiro-ministro, comprometendo-se a ser um aliado do Governo e a dar-lhe "respaldo político" se decidir avançar com reformas na saúde, economia e segurança social.
"Eu não sei se hei-de interpretar 'catavento' na boca de Marques Mendes como uma crítica ou como um elogio porque ele, há anos, disse o mesmo de Pedro Passos Coelho", recordou horas depois Cotrim Figueiredo.
O também eurodeputado já vinha preparado para a pergunta dos jornalistas, tendo exibido uma notícia em papel com o título "Marques Mendes diz que Passos é um catavento" do jornal Público, datada de 2017.
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No entanto, o candidato apoiado pelos partidos do Governo não foi o único a criticar Cotrim Figueiredo, com Jorge Pinto a dizer não estar na campanha "para ser aliado de quem quer que seja".
"Estou na campanha apenas para ser aliado dos portugueses e para lhes dizer que, comigo na Presidência da República, a minha única aliança era para com os portugueses", reagiu o candidato apoiado pelo Livre.
Também André Ventura visou Cotrim Figueiredo, equiparando-o a Marques Mendes.
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"As pessoas querem dar um abanão no sistema em Portugal. E sabem que votar no João Cotrim Figueiredo nem chega a ser um toque na mesa. Se votarem em mim, é assim: Trás!, murro na mesa. Se for no João Cotrim de Figueiredo, é assim: Trás...", argumentou, ilustrando com diferenças de tom os "murros" a que se referia.
O candidato presidencial e líder do Chega teve hoje apenas uma ação de campanha devido à realização do Conselho de Estado, que voltou a criticar.
"Certamente vou dar nota [...] da inoportunidade de um Conselho de Estado no meio de uma eleição presidencial, que não tem uma justificação, a que não seja colocar o Presidente da República em exercício no centro do debate político", defendeu.
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Quer Ventura, quer Luís Marques Mendes são membros do Conselho de Estado, hoje dedicado à situação internacional, em particular na Ucrânia e na Venezuela, e que começou cerca das 15:10.
"Não deixa de ter alguma interferência na campanha eleitoral, na medida em que há dois candidatos que são membros do Conselho de Estado", afirmou António Filipe, que falava aos jornalistas após um encontro com trabalhadores da área da Cultura, em Lisboa.
Não colocando em causa a "legitimidade constitucional" de Marcelo Rebelo de Sousa para convocar o Conselho de Estado "quando entender" e a "pertinência dos temas", o candidato apoiado pelo PCP considerou que a "oportunidade é discutível".
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Num sexto dia marcado novamente por várias posições relativas à crise na saúde, mas também por acusações entre candidatos, António José Seguro lamentou que a campanha esteja "muito centrada no ruído, muito centrada em mensagens muito simples, muito centrada em combates estéreis, muitas das vezes, entre os adversários".
As declarações do socialista aconteceram já depois de Henrique Gouveia e Melo ter dito que os seus adversários têm "pequenina" dimensão política.
"Não queiram comparar os candidatos atuais, que nem conseguiram vencer dentro dos seus partidos, nunca foram primeiros-ministros e não têm uma dimensão como teve o Mário Soares ou Cavaco Silva, ou outros presidentes" da República, disse, aludindo precisamente a Seguro e também a Marques Mendes.
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Concorrem também às eleições presidenciais de 18 de janeiro Catarina Martins (apoiada pelo Bloco de Esquerda), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana e o músico Manuel João Vieira.
A campanha eleitoral, que arrancou no domingo, termina em 16 de janeiro.
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