Bolsas europeias negoceiam com quedas expressivas. Petrolíferas e empresas de defesa em subida
Dólar valoriza com conflito no Médio Oriente. Franco suíço atingiu máximos de 11 anos face ao euro
Juros agravam-se em toda a linha na Zona Euro
Ouro avança 2% e aproxima-se dos 5.400 dólares com conflito no Médio Oriente
Refinaria na Arábia Saudita parada depois de ataque com drones
Preços do gás natural na Europa disparam 25%
Petróleo dispara mais de 8% com disrupções no Estreito de Ormuz a centrar atenções
Ásia fecha no vermelho com conflito no Médio Oriente. Futuros europeus tombam 2%
Europa afunda pressionada por conflito. Setor do petróleo e defesa avançam
Os principais índices europeus negoceiam com fortes perdas nesta segunda-feira e registam a maior queda desde novembro, com o conflito no Médio Oriente a provocar uma fuga generalizada dos ativos de risco, como é o caso das ações.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – afunda 1,48%, para os 624,49 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perde 1,81%, o espanhol IBEX 35 tomba 2,73%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 2,12%, o francês CAC-40 cede 1,60%, o neerlandês AEX cai 0,98%, ao passo que o britânico FTSE 100 recua 0,88%.
O setor de energia é, neste momento, o único a negociar no verde, a par do da defesa, depois de os preços do petróleo e gás natural terem disparado, sendo que o crude fixou já a sua maior subida em quatro anos. As ações de empresas como a Shell (+2,96%), TotalEnergies (+4,27%) e Galp (+3,87%) beneficiam do aumento dos preços do “ouro negro”.
Já empresas do setor da defesa e segurança também estão a valorizar, sendo que um cabaz de ações de defesa do Goldman Sachs segue a somar mais de 3,6%. Nesta medida, algumas das maiores cotadas europeias desta área, como a Rheinmetall (+1,86%), a Leonardo (+4,23%) e a Thales (+3,37%) somam ganhos.
"Na Europa, as empresas de aviação foram das mais penalizadas, devido à perspetiva de menor atividade no Médio Oriente, enquanto as empresas de defesa e de energia foram as mais beneficiadas pelo choque petrolífero", avança Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe. "Os investidores estão de olhos postos no Estreito de Ormuz, que, na prática, está interdito e por onde passa cerca de 25% do petróleo mundial", acrescenta o especialista, ao mesmo tempo que ressalva que "os próximos desenvolvimentos na região serão fundamentais para avaliar a extensão e a profundidade do impacto nas bolsas, que por agora permanece modesto".
Nesta medida, o setor do turismo (-3,92%) é dos mais afetados nas negociações, com companhias aéreas como a Deutsche Lufthansa e a Air France-KLM a recuaram mais de 7%. As ações de empresas de luxo europeias também acompanham as quedas, uma vez que a escalada do conflito ameaça a procura no Médio Oriente. A LVMH e a Hermès, por exemplo, desvalorizam mais de 3%.
Mathieu Racheter, diretor na Julius Baer, disse à Bloomberg que as ações europeias ainda estão a ser negociadas perto de máximos históricos atingidos no final da semana passada e deixam “espaço limitado para deceções” se a escalada entre os EUA e o Irão persistir. Já Andrea Tueni, do Saxo Banque France, antecipa à agência de notícias financeiras que “esta operação levará tempo. Isso aumentará a incerteza num mercado que já mostrava sinais de fraqueza e há a possibilidade de que isso possa desencadear aquilo que dará início a um movimento corretivo. É uma possibilidade, mas não tenho a certeza de que teremos a resposta nesta segunda-feira, pode levar mais tempo para descobrir”.
Dólar valoriza com conflito no Médio Oriente. Franco suíço atingiu máximos de 11 anos face ao euro
O dólar está a registar valorizações na sessão desta segunda-feira, impulsionado pelos preços mais altos da energia e pela compra de ativos-refúgio, depois de os ataques dos EUA e Israel ao Irão aumentarem as preocupações em torno de um conflito prolongado e alargado no Médio Oriente.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes - avança 0,64%, para os 98,228 pontos.
Os investidores estão a acompanhar de perto os desenvolvimentos em torno do transporte marítimo no Estreito de Ormuz, que foi interrompido depois de ataques retaliatórios iranianos terem atingido embarcações na região.
Nesta linha, um aumento acentuado e prolongado dos preços do petróleo prejudicaria as economias do Japão e da Zona Euro, que dependem fortemente das importações de crude.
A esta hora, o dólar valoriza 0,54%, para os 156,890 ienes, enquanto o euro perde 0,54%, para os 1,174 dólares, sendo que a libra cede 0,85%, para os 1.337 dólares.
Já o franco suíço - visto como um ativo-refúgio em tempos de incerteza económica e geopolítica -, atingiu máximos de 11 anos em relação ao euro, com um dólar a valor 0,9028 francos suíços, sendo que a moeda única perde agora 0,30%, para os 0,905 francos.
Juros agravam-se em toda a linha na Zona Euro
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a registar agravamentos em toda a linha na sessão desta segunda-feira, num dia em que as bolsas do Velho Continente seguem a perder terreno.
Os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, agravam-se em 2,8 pontos-base, para 3,025%. Em Espanha a "yield" da dívida com a mesma maturidade segue a mesma tendência e avança 3,1 pontos, para 3,091%.
Já os juros da dívida soberana italiana sobem 4,3 pontos, para 3,312%.
Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa agrava-se em 3,4 pontos, para 3,250%, ao passo que os juros das "bunds" alemãs, referência para a região, somam 2,5 pontos, para os 2,667%.
Fora da Zona Euro, os juros das "gilts" britânicas, também a dez anos, agravam-se em 2,9 pontos-base, para 4,327%.
Ouro avança 2% e aproxima-se dos 5.400 dólares com conflito no Médio Oriente
Os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão deste fim de semana, que culminaram na morte do líder supremo Ali Khamenei, estão a ter um forte impacto nos mercados esta segunda-feira. Os metais preciosos, tipicamente usados como ativos-refúgio em tempo de incerteza política e económica, estão a valorizar.
Isto num contexto em que o dólar americano também está a ganhar força, o que pode estar a limitar ganhos ainda mais expressivos dos metais preciosos.
A esta hora, o ouro avança 2,21% para os 5.395 dólares por onça, enquanto a prata negoceia com uma valorização de 1,77% para os 95,45 dólares.
"Os metais preciosos, o petróleo e outros ativos estão a subir apesar da recuperação do dólar e apesar de serem negociados em dólares", nota Hong Hao, diretor de investimentos da Lotus Assent Management, citado pela agência de notícias financeiras Bloomberg.
"Isto demonstra que estes ativos de referência são os principais ativos em períodos extraordinários", sublinha ainda o analista.
Refinaria na Arábia Saudita parada depois de ataque com drones
A refinaria de petróleo de Ras Tanura, na Arábia Saudita, foi esta segunda-feira alvo de um ataque de drones, anunciou o Ministério da Defesa do reino, tendo as autoridades abatido as aeronaves que se aproximavam.
A Arábia Saudita é dos países do Golfo que têm sido alvo de ataques do Irão desde sábado, em retaliação pela ofensiva de grande envergadura que os Estados Unidos e Israel têm em curso contra a República Islâmica.
Um porta-voz militar saudita fez o anúncio do ataque à refinaria através da agência estatal Saudi Press Agency, segundo a agência norte-americana AP. A agência especializada Bloomberg noticiou que a refinaria parou na sequência do ataque.
Vídeos partilhados na internet a partir do local pareceram mostrar uma espessa nuvem de fumo negro a subir após o ataque, referiu a AP.
Mesmo os drones intercetados com sucesso causam detritos que podem provocar incêndios e ferir quem se encontra no solo.
A refinaria de Ras Tanura, localizada no Golfo, é uma das maiores da região, com capacidade para 550.000 barris de petróleo bruto por dia, segundo a agência francesa AFP.
Preços do gás natural na Europa disparam 25%
Também os contratos de futuros de gás natural europeu dispararam 25% – a maior subida desde agosto de 2023 – após o escalar do conflito no Médio Oriente. Em Amesterdão, às 08:52 horas os futuros de gás natural negociavam nos 38,72 euros por megawatt-hora.
"A próxima questão-chave para a negociação será durante quanto tempo o estreito permanecerá fechado", analisou Tom Marzec-Manster, diretor de gás e GNL para a Europa da empresa Wood Mackenzie".
O motivo é a paragem praticamente total das atividades de transporte marítimo no Estreito de Ormuz, à luz dos conflitos no Médio Oriente, localização por onde passa cerca de 20% do transporte mundial de petróleo e também de grandes quantidades de gás.
Petróleo dispara mais de 8% com disrupções no Estreito de Ormuz a centrar atenções
Os preços do petróleo estão a registar fortes aumentos nesta segunda-feira, depois de terem escalado já cerca de 13% no arranque da sessão, registando a maior subida em quatro anos, à medida que os “traders” seguem de perto o conflito no Médio Oriente.
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Ásia fecha no vermelho com conflito no Médio Oriente. Futuros europeus tombam 2%
Os principais índices asiáticos encerraram a negociação com fortes perdas, à medida que o conflito no Médio Oriente segue a abalar os mercados ao nível global. Os futuros dos EUA seguem a ceder mais de 1%, enquanto pela Europa recuam mais de 2% a esta hora.
Pelo Japão, o Nikkei caiu 1,35%, ao passo que o Topix perdeu 1,02%. Já o sul-coreano Kospi recuou 1%. Na China, o Hang Seng de Hong Kong desvalorizou 2,30% e o Shanghai Composite somou 0,47%. Por Taiwan, o TWSE cedeu 0,90%.
Os investidores estão a aproveitar agora para se afastarem de ativos de risco como é o caso das ações, à medida que se regista um forte aumento dos preços do petróleo e do ouro.
O impacto sobre o petróleo e a inflação é uma preocupação primordial nos mercados neste momento que, no mês passado, viram as ações dos EUA registarem a sua pior queda desde abril. “Não estou a descartar a possibilidade de uma nova escalada, mas acho que é mais provável que o mercado reverta a reação exagerada anterior e adote uma postura de esperar para ver”, disse à Bloomberg Dilin Wu, da Pepperstone. “Embora o Irão tenha montado alguma resistência, a sua capacidade é claramente limitada, e a negociação pode muito bem ser o caminho mais viável”, acrescentou.
Pela Ásia, os bancos lideraram as quedas, juntamente com tecnológicas e farmacêuticas. Já as mineradoras e as empresas de transporte marítimo contrariaram a tendência de perdas.
A “alta dependência do Japão do petróleo do Médio Oriente” provavelmente prejudicará o sentimento em relação às ações à medida que a crise no Irão se desenrola, explicou à agência de notícias financeiras Nobuhiko Kuramochi, vice-presidente do Parasol Research Institute. Setores sensíveis ao petróleo, como o de transportes, estarão entre os mais afetados, acrescentou. Nesta linha, analistas do Citigroup reviram em baixa a classificação das ações japonesas de “sobreponderadas” para “subponderadas”, citando preocupações de que “o Japão tende a ter um desempenho inferior quando se regista um aumento dos preços do petróleo”.
Noutros pontos do mercado, ações de companhias aéreas japonesas também registaram fortes perdas, com a Japan Airlines e a ANA Holdings a ceder mais de 5%. “A guerra nunca é boa para as viagens aéreas civis, e os custos mais altos do petróleo também vão diminuir a procura” por voos, escreveu Andrew Jackson, da Ortus Advisors. Em contrapartida, refinarias e exploradoras de petróleo como a Inpex (+6,08%) e a Japan Petroleum Exploration (+11,91%) ganharam terreno.
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