Ventura: "Não aceito que velhos do Restelo digam que depois do 25 de Abril foi tudo bom"

Líder do Chega esteve esta segunda-feira num debate com o historiador Pacheco Pereira depois de André Ventura ter afirmado no Parlamento que houve mais presos políticos depois do 25 de Abril.
Pacheco pereira desafiou Ventura para um debate após uma intervenção polémica do líder do Chega no Parlamento
EPA/JOSE SENA GOULAO
Sábado 13 de Abril de 2026 às 22:41

O historiador José Pacheco Pereira e André Ventura estão esta segunda-feira frente-a-frente num debate televisionado na CNN Portugal, isto depois do líder do Chega ter afirmado em Parlamento que havia mais presos políticos depois do 25 de Abril. Frente a Pacheco Pereira, e ao citar o historiador Rui Ramos, reafirmou que na noite antes do 25 de Abril havia "menos de 200 presos políticos" e que "meses depois tínhamos entre dois mil a três mil presos políticos".

Ventura recordou ainda os "dezenas de milhares de expatriados" que "nunca ninguém fez justiça". "Foram perseguidos pelos novos donos do sistema, que eram os que fizeram a revolução. (...) O sistema anterior errou, mas o novo não trouxe nos meses a seguir coisas muito boas."

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Questionado pelo jornalista se gostava mais ditadura do que da Democracia que temos, respondeu: "Pelo contrário. Gostava de ter uma Democracia plena em que ninguém fosse perseguido, (...) não houvesse presos políticos e torturados como aconteceu depois do 25 de Abril, e antes também. O que não aceito é aqueles velhos do Restelo que dizem: 'antes era tudo mau e depois do 25 de Abril foi tudo bom'."

Pacheco Pereira ripostou logo de seguida: "O André Ventura mete-se em cada sarilho....". E deu início ao seu raciocínio: "O número de presos políticos que eram guerrilheiros era relativamente pequeno por uma razão: porque a maioria dos presos que eram guerrilheiros ou ia parar à PIDE ou ia para os aquartelamentos militares e muitos foram executados e torturados."

André Ventura contrapôs: "Grande parte dos presos, quer na Guiné, quer em Moçambique, quer em Angola, eram pessoas que tinham atacado o Estado português, o exército português, que tinham violado e morto mulheres e bebés." E não deixou de reconhecer que "as torturas em Lisboa eram comuns a seguir ao 25 de Abril", mas quanto a isso Pacheco Pereira acusou-o de estar a mentir. "É uma grande mentira", garantiu. O líder do Chega deixou o historiador prosseguir com o seu raciocínio, mas deixou claro que ia proceder ao contraditório: "Não é Alexandra Leitão", recordou.

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Pacheco Pereira explicou que "grande parte dos presos que estavam em Angola, Moçambique e Cabo Verde eram enfermeiros, funcionários dos correios, professores primários, pastores protestantes, que em muitos casos eram estudantes aliciados para regressarem a Portugal e eram presos nas colónias". A isto, André Ventura respondia: "É mentira". Ao citar um documento disse: "Vou ler quem estava preso politicamente em 1975: carpinteiro, comerciante, advogado, construtor civil, reformado... Não eram os militares que estavam presos, nem os políticos. Eram pessoas que discordavam da extrema-esquerda", alegou.

E o historiador continuou: "Ou admite que eles não são portugueses, eram combatentes nacionalistas porque eram moçambicanos, angolanos, cabo-verdianos, e nesse caso como bom nacionalista admite que esses homens viviam num país que estava ocupado por outro e tinham direito a se revoltar, ou por simplesmente os considera portugueses."

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