Fórum para a Competitividade antecipa travagem do PIB nos próximos trimestres

Apesar de o PIB ter acelerado no segundo trimestre, o Fórum para a Competitividade antecipa que o segundo semestre seja marcado pelo abrandar da economia. E alerta para o rumo das contas externas.
Miguel Baltazar
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Tiago Varzim 04 de setembro de 2018 às 10:46

O Fórum para a Competitividade considera que os dados do PIB no segundo trimestre sugerem que vem aí uma desaceleração. A nota de conjuntura de Agosto antecipa que é isso que vai acontecer na Europa, levando Portugal por arrasto. Para o Fórum os dados mais preocupantes em relação à economia portuguesa são a produtividade e as contas externas. 
"Há um aspecto um pouco preocupante nos dados, que é que quase 0,7 pontos percentuais do crescimento se devem a acumulação de existências [stocks das empresas], o que terá acontecido de forma provavelmente involuntária", assinala o Fórum para a Competitividade, esta terça-feira, dia 4 de Setembro.
De facto, os números do Instituto Nacional de Estatística revelados na passada sexta-feira indicavam que o impulso do investimento foi, em grande parte, influenciado pela variação de existências, ou seja, os stocks que as empresas acumulam. Isto pode sinalizar que as empresas anteciparam compras face aos receios à volta da guerra comercial ou então que existe uma maior expectativa face às vendas futuras. Menos provável é a explicação de que a procura (vendas) diminuiu uma vez que o consumo privado foi a componente que deu mais gás ao PIB
Esta subida dos stocks das empresas é interpretada pelo Fórum como um sinal de desaceleração futura. "Há perspectivas de abrandamento nos trimestres seguintes, o que é, de resto, a tendência genérica em curso, não só na economia portuguesa, mas também europeia", lê-se na nota de conjuntura que, no entanto, não adianta previsões para o terceiro trimestre. Esta previsão de que o PIB vai travar contrasta com a projecção do Montepio que antecipa nova aceleração da economia de Julho a Setembro
No segundo trimestre, a economia portuguesa aumentou o ritmo de crescimento para 2,3%, em termos homólogos, e 0,5%, em cadeia, acima da média europeia. O crescimento da Zona Euro foi revisto em alta para 2,2%, mas ainda assim representa uma desaceleração face aos 2,5% do primeiro trimestre.
Mas há mais sinais que o Fórum teme para além da desaceleração. Um deles é a produtividade: "Em termos de contas nacionais, o emprego cresceu 2,1%, o que deu – finalmente – um aumento (ínfimo) da produtividade em 0,2%", começa por dizer o Fórum, referindo depois que, apesar dessa melhoria, a produtividade deveria estar a crescer muito mais.


"É perfeitamente possível, ter crescimentos da produtividade entre 2% e 3% no nosso estádio de desenvolvimento e a pertença ao euro não pode servir de qualquer desculpa", considera a entidade liderada por Ferraz da Costa, comparando Portugal com outros países europeus cuja riqueza continua abaixo da média europeia, como é o caso da Lituânia. 
Acresce que os números das contas externas começam a preocupar. "As contas externas do 1º semestre quebraram o padrão sazonal de melhoria do saldo, lançando dúvidas sobre o resto do ano", resume o Fórum, referindo-se ao saldo corrente e de capital cujo défice duplicou no primeiro semestre, em termos homólogos. A nota de conjuntura de Agosto assinala que isso deve-se, em parte, ao "abrandamento da conta de turismo", tal como mostram os dados do INE.

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