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Défice externo salta para 2,5% do PIB no primeiro trimestre

O saldo da balança corrente e de capital foi negativo em 1.231 milhões de euros no primeiro trimestre, um agravamento de mais de 15 vezes face ao período homólogo. O forte crescimento das importações explica o desequilíbrio.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 21 de Maio de 2019 às 11:38
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O primeiro trimestre do ano é habitualmente o mais negativo para as contas externas portuguesas. Mas nos primeiros três meses deste ano o desempenho agravou-se de forma substancial, com o desequilíbrio das balanças corrente e de capital a dar um salto para 2,5% do PIB.

Segundo os dados publicados esta terça-feira pelo Banco de Portugal, o saldo conjunto das balanças corrente e de capital fixou-se em -1.231 milhões de euros, o que compara com -78 milhões de euros em igual período de 2018.

À variação corresponde um agravamento superior a 15 vezes, que coloca o défice externo de Portugal em 2,5% do PIB, o que compara com apenas 0,2% do PIB no primeiro trimestre de 2018.

Para este agravamento substancial contribuiu de forma decisiva o comportamento da balança de bens, já que as importações estão este ano a crescer a um ritmo bem superior ao das exportações.   

O défice da balança de bens aumentou 1.245 milhões de euros e situa-se agora em 4.320 milhões de euros, o que equivale a 8,7% do PIB (6,4% no primeiro trimestre do ano passado). A deterioração da balança de bens aconteceu num período em que as importações de bens (+10,6%) cresceram a mais do dobro do ritmo das exportações (5,1%).

Na balança de serviços também as importações (10,2%) cresceram bem acima das exportações (4,1%). O saldo continua a ser positivo (atingiu 2.595 milhões de euros, ou 5,2% do PIB), mas foi insuficiente para compensar o agravamento do desequilíbrio na balança de bens.   

Nos primeiros três meses do ano, as exportações de bens e serviços cresceram 4,8% (4,1% nos bens e 6,4% nos serviços) e as importações aumentaram 10,5% (10,6% nos bens e 10,2% nos serviços).

O forte desempenho do turismo português tem sido dos fatores que mais beneficiou as contas externas portuguesas nos últimos anos. No primeiro trimestre a evolução voltou a ser positiva (as exportações aumentaram 5,3%), mas o menor peso do turismo nesta altura do ano torna o impacto menos expressivo.



Sete anos de excedente

Segundo os dados do Banco de Portugal, o défice da balança de bens no primeiro trimestre foi o mais elevado em valor desde 2011, que foi precisamente o último ano em que Portugal registou défice externo no conjunto do ano.


Nos últimos sete anos Há sete anos que as contas externas portuguesas estão positivas, mas o saldo tem vindo a descer ao longo dos últimos anos.

 

Desde 2013 que o excedente tem superado os 1% do PIB, mas no ano passado reduziu-se de forma expressiva. A balança corrente e de capital, que traduz as contas externas da economia, desceu para 0,4% do PIB, o valor mais baixo desde 2012 (0,2%), o primeiro ano em que houve excedente. 

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