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Júri chumba proposta do consórcio Atlantic Connect para compra da Azores Airlines

O júri do concurso, liderado pelo economista Augusto Mateus, recomendou a rejeição da proposta do consórcio, indicando que esta não cumpre os requisitos e seria "desfavorável" para a SATA.

Júri considera que proposta é 'desfavorável' face à anterior.
Júri considera que proposta é "desfavorável" face à anterior. Brian Bukowski/ Cofina Media
19:31

O júri do concurso para a privatização da companhia Azores Airlines chumbou a proposta que o consórcio Atlantic Connect Group apresentou a 24 de novembro de 2025, considerando que a mesma "não cumpre os requisitos definidos no procedimento".

Em comunicado, a SATA dá conta da decisão do júri, liderado pelo economista Augusto Mateus, com a indicação de que a proposta de 17 milhões de euros por 85% da companhia "não respeita condições e obrigações previamente estabelecidas e não salvaguarda os interesses patrimoniais da SATA Holding e, consequentemente, da Região Autónoma dos Açores, colocando-a numa posição globalmente mais desfavorável do que aquela que resultava da proposta apresentada pelo mesmo consórcio em 2023". 

Na proposta de 2023, que surge no âmbito do primeiro concurso público, o consórcio Newtour/MS Aviation propôs adquirir 760 mil ações por 4,94 milhões de euros, avaliando cada ação em 6,50 euros. Entretanto, o valor da companhia foi revisto por um valor superior e o consórcio tinha proposto, antes da última oferta, comprar 76% da companhia por 15,2 milhões de euros.

"Na proposta cuja rejeição é recomendada, a SATA Holding teria de assumir integralmente a capitalização da Azores Airlines. As condições de pagamento propostas não preveem qualquer direito ou instrumento que permita à SATA recuperar os montantes investidos, implicando a assunção de uma responsabilidade de natureza ilimitada ou, pelo menos, não devidamente quantificável", lê-se no comunicado do grupo de aviação.

As alterações propostas pelo consórcio de Tiago Raiano, Carlos Tavares, Paulo Pereira e Nuno Pereira "não correspondem a práticas habituais de mercado, mesmo tendo em conta o contexto de ativos em situação financeira especialmente exigente". O júri entende ainda que o consórcio "não prevê a entrada de qualquer reforço financeiro na companhia, permanecendo o risco económico da operação essencialmente do lado da SATA"

O júri considera ainda que ao aceitar a proposta "poderia expor a operação ao risco de ser qualificada como auxílio de Estado", no âmbito do empréstimo de 453,25 milhões em junho de 2022. De recordar que Bruxelas aceitou a prorrogação da privatização da Azores Airlines até ao fim de 2026.

Agora, o consórcio dispõe de um prazo legal previsto para se manifestar em relação à decisão do júri. O processo não foi fácil, uma vez que o grupo de empresários teve de negociar durante alguns meses com os sindicatos dos pilotos e dos tripulantes, admitindo que só avançava com a proposta se tivesse o apoio dos trabalhadores.

(Notícia atualizada às 19:50)

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