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Famílias donas de negócios sofrem mais com a crise em Portugal

As famílias portuguesas que têm um negócio próprio atuam em setores mais vulneráveis à pandemia e também estão financeiramente mais dependentes.

Reuters
Margarida Peixoto margaridapeixoto@negocios.pt 22 de Outubro de 2020 às 13:10
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Em Portugal, quem tem um negócio próprio está mais exposto à crise provocada pela pandemia de covid-19 do que no resto da Zona Euro. A conclusão consta de um estudo publicado esta quinta-feira na Revista de Estudos Económicos, do Banco de Portugal.


Sónia Costa, Luísa Farinha, Luís Martins e Renata Mesquita, quatro economistas e investigadores do Banco de Portugal, foram estudar à lupa as características das famílias proprietárias de negócios em Portugal, e compará-las com o panorama ao nível dos restantes países da Zona Euro. Para usar informação comparável, os dados são de 2017, mas permitem tirar conclusões para compreender melhor o impacto da pandemia de covid-19 na economia portuguesa.


Segundo o estudo, um dos fatores que contribui para a economia portuguesa estar particularmente exposta à crise atual tem que ver com o tipo de negócios familiares que são característicos no país.


Mais de metade (56%) das famílias que têm negócios próprios atuam no grupo de setores de atividade mais afetados durante o período de confinamento, concluem os economistas. "Esta percentagem é mais do dobro da que se observa em média nos restantes países da área do euro (24%)", adiantam.


Além disso, a percentagem de famílias com negócios nestes setores e que são, simultaneamente, financeiramente muito dependentes do seu negócio, é mais elevada em Portugal do que no resto dos países da moeda única: 18%, contra 10%.


Em causa estão os setores da indústria transformadora, comércio e reparação de veículos automóveis e motociclos, alojamento e restauração, atividades imobiliárias, atividades administrativas, atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas e os transportes e armazenagem.


Olhando agora para os setores que, depois de terminado o confinamento, continuam com perspetivas de recuperação da sua atividade mais negras, Portugal volta a destacar-se entre os países mais vulneráveis. "O conjunto de setores com uma recuperação mais lenta abrange 10% dos negócios das famílias em Portugal, duas vezes mais do que na média dos restantes países da área do euro", lê-se no estudo dos economistas do Banco de Portugal.


Os setores considerados neste grupo de recuperação lenta são os do alojamento, restauração e similares, e atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas. No conjunto de famílias com negócios nestas áreas, 4,5% estão muito dependentes do seu negócio, enquanto no resto dos países do euro há 3% nessas circunstâncias.


Apesar destas conclusões, numa das medidas do nível de dependência das famílias face aos seus negócios, os investigadores até concluem que em Portugal a dependência é relativamente mais baixa (33% na economia nacional, contra 39,7% na Zona Euro). Porém, as características da atual crise afetam mais famílias que são comparativamente mais dependentes do que os seus pares, nos outros países da moeda única.

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