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Portugal com pior posição desde 2009 no ranking dos países onde é mais fácil fazer negócios

Portugal registou na edição deste ano do ranking do Banco Mundial a pior posição desde 2009 ao cair cinco lugares face ao ano passado.

Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 31 de Outubro de 2018 às 15:48
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O relatório Ease of Doing Business (Facilidade em fazer negócios, em tradução livre) do Banco Mundial é uma referência para os investidores que procuram um lugar para fazer negócios. No relatório deste ano, divulgado esta quarta-feira, 31 de Outubro, Portugal surge em 34.º lugar. Esta posição é um retrocesso de cinco posições face ao ano passado e é o pior lugar desde 2009.

A edição deste ano não refere a posição do ano passado, mas com base nos relatórios de anos transactos é possível retirar essa conclusão. Portugal tinha ficado em 29.º lugar no ranking publicado em 2017. O melhor lugar dos últimos anos foi registado em 2014 quando Portugal arrecadou o 23.º lugar. Um dos piores foi o de 2008 e 2009 em que Portugal ficou no 48.º lugar (ver gráfico).
Comparando com os restantes Estados-membros da União Europeia, Portugal ficou em 14.º lugar, acima de países como Itália, Holanda, Bélgica ou República Checa. À frente está a Dinamarca (3.º lugar), o Reino Unido (9.º lugar) e a Suécia (12.º lugar). 

A economia portuguesa é a mais amigável para os negócios no que toca às trocas comerciais (detém mesmo a primeira posição neste indicador) e à resolução das insolvências (16.º lugar). Por outro lado, Portugal é um dos piores países para a obtenção de crédito (112.º lugar em 190 países) e em termos de protecção dos investidores minoritários, assim como na obtenção de alvarás de construção. 

Além da própria posição, a pontuação de Portugal caiu ligeiramente face ao ano anterior: passou de 76,62 pontos para 76,55 pontos. Mas a principal razão para ter caído no ranking foi a melhoria das condições de negócios para as empresas noutros países. Foi o caso do Ruanda, que melhorou quatro pontos, ou do Azerbaijão, que subiu sete pontos, ambos ultrapassando Portugal.

No relatório é possível encontrar críticas e elogios à economia portuguesa. Por um lado, o Banco Mundial assinala que o registo de propriedades se tornou "mais oneroso", uma vez que se reduziu o número de funcionários que registam as transferências de propriedade. 

Por outro lado, a entidade elogia a redução do tempo e custo para a formalização de uma empresa, o que aumentou o número de startups em 17% e "criou sete novos postos de trabalho por 100 mil habitantes por mês". Acresce que estas startups eram maioritariamente lideradas por mulheres, mais pequenas e conduzidas por empreendedores com menos experiência e educação, "o que sugere que esta reforma criou um ambiente mais inclusivo para aspirantes a empreendedores".

Entre os países lusófonos, o Brasil destaca-se pela melhoria ao passar da posição 125 para a 109. A Índia foi a protagonista da edição deste ano, ao subir 23 lugares para a posição 77. Nos últimos quatro anos, a economia indiana pulou 65 posições, sendo um dos países que mais progressos regista neste ranking do Banco Mundial.

O ranking é liderado pela Nova Zelândia, seguida por Singapura e pela Dinamarca. No fundo da tabela estão a Somália, a Eritreia e a Venezuela. No total, houve 314 reformas que melhoraram o clima empresarial nos países analisados durante o último ano, segundo o Banco Mundial. O ranking existe desde 2003.

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