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Gémeos alemães acumulam fortuna de 22 mil milhões de dólares na procura de uma vacina

Com 22 mil milhões de dólares, os gémeos têm uma das maiores fortunas do mundo no setor de saúde, de acordo com o Índice de Bilionários Bloomberg. Os irmãos, de 70 anos, formaram o seu império reinvestindo os lucros dos negócios de medicamentos genéricos da família.

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Bloomberg 17 de Novembro de 2020 às 10:00
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O rally das bolsas impulsionado pelos resultados promissores do ensaio da vacina contra a Covid-19 da Pfizer aumentou as fortunas de muitos investidores, mas nada comparado ao registado pelos irmãos Andreas e Thomas Struengmann, da Alemanha.

 

Juntos, os gémeos aumentaram o seu património em 8 mil milhões de dólares este ano devido à participação na BioNTech, parceira da Pfizer no desenvolvimento da vacina. Os ADR da BioNTech (títulos que correspondem a ações cotadas em Nova Iorque) valorizaram na semana passada depois de a farmacêutica dos EUA ter divulgado que a vacina em desenvolvimento evitou 90% das infeções sintomáticas em dezenas de milhares de voluntários.

 

Com 22 mil milhões de dólares, os gémeos têm uma das maiores fortunas do mundo no setor de saúde, de acordo com o Índice de Bilionários Bloomberg. Os irmãos, de 70 anos, formaram o seu império reinvestindo os lucros dos negócios de medicamentos genéricos da família.

 

Eles "reformularam a sua fortuna simplesmente acreditando na ciência", disse Paul Westall, cofundador da Agreus, empresa de recrutamento de consultores para "family offices" (gestoras de fortunas familiares). Os irmãos Struengmann não responderam a pedidos de comentário.

 

Athos Service

Os irmãos fundaram o seu "family office" Athos Service logo depois de a Novartis anunciar em 2005 a compra da sua farmacêutica Hexal, juntamente com a participação que tinham na afiliada EON Labs por um total de 5,7 mil milhões de euros.

 

Thomas Struengmann disse em dezembro, em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, que os irmãos inicialmente tinham prometido a si mesmos que não investiriam mais de mil milhões de euros no setor da biotecnologia, por causa dos riscos e da paciência necessária. Acabaram por ultrapassar esse limite depois de verem sinais promissores.

 

"Você quer ver as suas plantinhas continuarem a crescer", disse.

 

A aposta dos gémeos na BioNTech resume a ambição de financiar medicamentos transformacionais. Ajudaram a fornecer à BioNTech 150 milhões de euros em capital inicial em 2008 e agora possuem cerca de metade da empresa.

 

A alta das ações também impulsionou a fortuna do CEO da BioNTech, Ugur Sahin, para mais de 4 mil milhões de dólares, de acordo com o índice Bloomberg, e agora o executivo está mais perto de entrar para o clube das 500 pessoas mais ricas do mundo.

 

Os Struengmann também apoiaram a anterior aposta de Ugur Sahin, a Ganymed Pharmaceuticals, uma companhia de tratamento do cancro que o cientista nascido na Turquia fundou com a sua mulher em Ozlem Tureci. Um ano depois de o casal ter virado atenções para a covid-19, os resultados preliminares dos testes validam o novo tipo de medicamento que a dupla gastou a carreira a tentar desenvolver.  

 

"Pode abrir caminho no setor farmacêutico para um novo tipo de moléculas", disse Sahin numa entrevista.

 

"Grandes elefantes" 

Depois de em 1979 terem assumido o controlo da farmacêutica familiar Durachemie, que era do seu pai Ernst, os gémeos venderam a companhia sete anos depois e utilizaram o encaixe para criar a Hexal. Uma empresa constituída com pouco mais de 20 trabalhadores num apartamento perto de Munique, que depois cresceu até ser a quarta maior fabricante de genéricos do mundo.

 

"A nossa força é a rapidez e flexibilidade", disse Thomas, que é doutorado em gestão de empresas, durante uma entrevista em 2004. "Enquanto os grandes elefantes estão a tomar as suas decisões, nós já partimos para a ação".

 

A oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da BioNTech nos Estados Unidos no ano passado foi o culminar de uma década agitada para os gémeos.

 

Desde 2010, investiram com a EQT AB no negócio de aparelhos auditivos da Siemens, venderam o banco alemão Suedwestbank por mais do dobro do preço que tinham pago em 2004 e compraram participações numa série de empresas de biotecnologia, incluíndo a Immatics NV, que recentemente efetuou uma fusão com a Arya Sciences Acquisition.

 

Nem todas as apostas deram frutos.

 

O preço das ações da Immatics NV caíram cerca de um terço desde que foram admitidas à negociação no Nasdaq em julho. A 4SC AG, que desenvolve medicamentos contra o cancro e onde os gémeos são os maiores acionistas, desvalorizam mais de 20% este ano. A BioNTech teve uma estreia pouco auspiciosa em bolsa, com as ações a serem vendidas abaixo do intervalo pré-definido, mas desde então dispararam 580%.

 

"Para nós o mais importante não é o retorno", disse Thomas na entrevista ao Handelsblatt. É "acima de tudo, sobre produzir medicamentos inovadores e com elevada eficácia".

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