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Pequim e Shenzhen deixam de exigir testes negativos nos transportes

O relaxamento dos requisitos de testes ocorre numa altura de protestos em todo o país contra a política de tolerância zero em relação à covid-19.

O governo chinês impôs uma política de testagem em massa para detetar e travar possíveis surtos de covid-19.
Aly Song /Reuters
Lusa 03 de Dezembro de 2022 às 17:53

As autoridades chinesas aliviaram este sábado as restrições impostas pela pandemia de covid-19 na capital Pequim e na cidade de Shenzhen, ao deixarem de exigir testes negativos para a utilização de transportes públicos.


A apresentação de um teste com resultado negativo ao vírus SARS-CoV-2 para os transportes públicos deixa de ser necessária em Pequim a partir de segunda-feira, embora um resultado negativo obtido nas últimas 48 horas ainda seja um requisito para entrar em determinados locais, nomeadamente centros comerciais.


A manutenção desta medida já gerou protestos entre alguns residentes de Pequim, que criticam que a maioria dos locais públicos continue a exigir a realização de testes, mesmo tendo a cidade já encerrado muitos centros para a realização de testes.


Segundo as autoridades da capital chinesa, a atual vaga da pandemia impõe "continuar inabalavelmente a implementar medidas normalizadas de prevenção e controlo social".

 

Já a cidade de Shenzhen, no sul da China, anunciou este sábado que os trabalhadores pendulares não precisam mais de mostrar um resultado negativo à covid-19 para utilizarem o transporte público ou ao entrarem em farmácias, parques e atrações turísticas.


O relaxamento dos requisitos de testes ocorre quando as infeções diárias superam os máximos registados e na sequência de protestos em todo o país por cidadãos cansados da política de tolerância zero em relação à covid-19 quando o resto do mundo já retomou a normalidade. O governo chinês reportou 33.018 infeções nas últimas 24 horas, incluindo 29.085 sem sintomas.


A China continua a impor quarentena obrigatória aos viajantes que entram, mesmo quando os números de infeção são baixos em comparação com os seus 1,4 mil milhões de habitantes.


As recentes manifestações, as maiores em décadas, irromperam a 25 de novembro, após um incêndio num edifício de apartamentos na cidade de Urumqi, no noroeste do país, que matou pelo menos 10 pessoas.


O caso desencadeou suspeitas se os bombeiros ou as vítimas que tentavam escapar estariam bloqueados por portas trancadas ou outros controlos antivírus. As autoridades negaram essa situação, mas as mortes tornaram-se um foco de frustração pública.


O país assistiu então a vários dias de protestos em múltiplas cidades, incluindo Xangai e Pequim, com os manifestantes a exigirem uma flexibilização das restrições da covid-19. Alguns exigiram mesmo a demissão do Presidente chinês, Xi Jinping.


O governo prometeu reduzir os custos e os constrangimentos causados pelos controlos, mas diz que se manterá com a política "covid zero". Especialistas e economistas de saúde esperam que a estratégia se mantenha pelo menos até meados de 2023 e, possivelmente, até 2024.


Na sexta-feira, o diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde, Michael Ryan, disse que a instituição estava "satisfeita" por ver a China reduzir algumas das suas restrições ao coronavírus, ao declarar que "é realmente importante que os governos ouçam o seu povo quando o povo está a sofrer".

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