Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Unicredit prevê que Portugal entre na maior recessão de sempre este ano

As previsões do Unicredit apontam para que as economias dos países do sul - Portugal, Espanha e Itália - recuem cerca de 15% este ano, comparando mal com os pares europeus e com os gigantes que dominam a economia mundial.

O gigante italiano Unicredit também tem sofrido com as análises de que poderá precisar de um aumento de capital. Além dos problemas específicos que enfrenta, o banco aceitou assegurar a operação de aumento de capital de outro banco italiano em dificuldades, o Banca Popolare di Vicenza, e teve de ser um dos maiores contribuintes para o fundo italiano para resgatar o sector. As acções descem 50% em 2016.
Bloomberg
Ana Batalha Oliveira anabatalha@negocios.pt 06 de Abril de 2020 às 16:35
  • Partilhar artigo
  • 11
  • ...

O Unicredit lançou as previsões de crescimento para os membros da Zona Euro e o cenário para 2020 é de pesadas contrações. No caso de Portugal, a economia deverá regredir 15% no conjunto deste ano, um recorde absoluto. No ano seguinte há lugar para a recuperação, mas sem apagar totalmente as perdas.

Os cálculos do Unicredit apontam para que se verifique, em 2020, "a pior recessão que o país alguma vez experienciou, pior do que a registada durante a grande recessão (quando o PIB contraiu 3,2% em 2009) ou na crise do petróleo de 1975 (o crescimento do PIB minguou 5,1% nessa altura)".

O calendário do crescimento é o seguinte: no primeiro trimestre, uma quebra de 5% comparativamente aos três meses anteriores, à qual sucederá uma queda de 20% a 25% no segundo trimestre, também em cadeia.

Nos últimos dois trimestres a tendência deverá inverter, antevendo-se um crescimento de 10% em cadeia em cada um, "à medida que as restrições são aliviadas progressivamente", acrescenta o banco, numa nota mais positiva. O ano seguinte, 2021, deverá ver um salto anual no PIB de 9,6%.

"O panorama das economia portuguesa foi sujeito a uma repentina e demarcada deterioração como resultado do impacto da pandemia de covid-19", explica o banco de investimento. Portugal deverá ver em 2020 uma contração que é superior à calculada para o conjunto da Zona Euro (-13%). Em 2021, os países que utilizam o euro deverão fazer uma recuperação quase total, de 10%.

A explicar a reação mais negativa de Portugal à pandemia, estão alguns "fatores característicos" da economia nacional, os quais "tornam o país particularmente vulnerável a um choque deste género". Um deles é a importância dos setores relacionados com o turismo, que têm um peso de 27% na economia nacional. Neste campo, os hotéis já sentem uma queda a pique nas reservas e a companhia aérea nacional, a TAP, reduziu as operações a apenas dois voos semanais para Açores e Madeira.

Por outro lado, o tecido empresarial português é constituído quase inteiramente (97%) por pequenas e microempresas, cuja "situação financeira frágil será testada" por uma disrupção da liquidez. Por fim, o facto de uma "percentagem alta" das famílias viveram abaixo da linha de pobreza – 18% - mostra que há apenas uma pequena margem para absorver o choque através dos rendimentos.

Noutras frentes, a economia portuguesa também fica consideravelmente pior. O primeiro excedente orçamental desde que o país vive em democracia, conquistado em 2019 na percentagem de 0,2% do PIB, vai dar lugar a um défice de mais de 10,9% do PIB em 2020 e que deverá encurtar apenas para os 4,1% em 2021. No que toca à dívida pública, que em 2019 ficou nos 117% do PIB, este ano deve disparar para os 145,7% e no ano seguinte manter-se acima da capacidade de reembolso do país, nos 135,9%.

Estados Unidos reerguem-se num ano e Europa quase empata, mas sul sucumbe

Os Estados Unidos deverão cair acentuadamente em 2020, na ordem dos 10%. Mas 2021 já é ano de uma forte recuperação, de 11,8%, eliminando as perdas da crise. A economia mundial também passa, nas previsões do Unicredit, de um recuo de 6% em 2020 para um largo passo à frente, de 8,6%, no ano seguinte. A segunda maior economia do mundo, a Chinesa, não chega a contrair: o crescimento desce dos 6,2% de 2019 para uns ligeiros 0,6% mas em 2021 o arranque é a fundo: de 10%.

Já a Zona Euro não tem uma retoma tão espetacular – passa de uma contração de 13% para um salto de 10% entre 2020 e 2021. A Alemanha, a maior potência europeia, deverá manter-se na linha de água – desce 10% este ano para os recuperar no ano seguinte. França também quase volta à base, descendo 13% para depois subir 10%.

Mas nos vizinhos do sul, não é assim: Itália e Espanha veem danos em todo semelhantes aos enfrentados por Portugal: o PIB do país transalpino cai 15% para avançar 9% no ano posterior e "nuestros hermanos" derrapam 15,5% para escalar apenas outros 9,5%. Na Grécia, a perda é bastante mais acentuada, de 18,6%, mas a subida subsequente é de 15,5%.

Ver comentários
Saber mais Unicredit Portugal Comunidade Económica Europeia PIB CEE Estados Unidos economia negócios e finanças economia (geral) política
Outras Notícias