Morreu o escritor António Lobo Antunes
Era um dos mais conceituados escritores portugueses. Morreu aos 83 anos.
Morreu o escritor António Lobo Antunes, esta quinta-feira, aos 83 anos, avançou primeiro o Expresso. Era um dos mais conceituados escritores portugueses e que publicou mais de três dezenas de romances ao longo da vida.
Em entrevista ao Negócios, no final de 2017, António Lobo Antunes falava sobre o seu processo de escrita, assumindo que lhe dava "culpabilidade" quando não escrevia. "O intervalo dos livros é difícil porque me começo a sentir culpado. É como se estivesse a atraiçoar uma coisa que não é minha e que me deram".
"Eu não escrevo com plano. Começo a escrever e é o livro que se vai estruturando, com se fosse uma coisa independente de mim", destacava ainda o escritor lisboeta nessa entrevista. "Não me interessa nada contar histórias, interessa-me escrever aquilo que não sei de onde vem".
Numa outra entrevista, publicada em janeiro de 2016, o escritor sublinhava a importância da amizade. "O meu avô costumava dizer: um homem pode não ter dinheiro, pode não ter mulher, pode não ter casa… Se tiver amigos, nunca é pobre". E deu a sua visão forte sobre o porquê de a literatura não vender. "Porque tudo é feito contra ela, porque a literatura é subversiva. Porque a cultura mete medo, porque os políticos têm medo da cultura. Um povo culto não tolerava estes ministros, estes discursos, esta mediocridade".
António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1 de setembro de 1942. Licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, com especialização em Psiquiatria. Memória de Elefante, publicado em 1979, foi o seu primeiro livro. Em 1985 envereda pela escrita a tempo inteiro.
António Lobo Antunes foi condecorado com o Grande Colar da Ordem de Sant'Iago da Espada, em 2004. Três anos depois, venceu o prémio literário Camões. Em 2008, França deu-lhe o grau de "Commandeur" da Ordem das Artes e das Letras. Em 2019, foi distinguido com a Ordem da Liberdade.
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