Cultura Philip Roth, que deu uma voz diferente à América, morreu aos 85 anos

Philip Roth, que deu uma voz diferente à América, morreu aos 85 anos

Escreveu que no seu obituário se iria ler: "Sodomista, Abusador de Mulheres, Destruidor de Caracteres". Perseguido por judeus e mulheres, foi um dos mais importantes e aclamados autores da segunda metade do século XX. Venceu o Pulitzer e vários outros prémios literários, ficando por receber o Nobel.
Philip Roth, que deu uma voz diferente à América, morreu aos 85 anos
Reuters
Negócios 23 de maio de 2018 às 08:24
Philip Roth, um dos últimos grandes autores americanos, morreu esta terça-feira, aos 85 anos de insuficiência cardíaca congestiva.

Roth foi um dos mais aclamados e influentes escritores da última década sendo, várias vezes integrado num grupo de três grandes autores estado-unidenses brancos: Saul Bellow e John Updike, que foram responsáveis por revolucionar as letras norte-americanas durante a segunda metade do século XX.

Vencedores do Pulitzer, do National Book Award e do Man Booker International, entre outros prémios, o autor que se propôs a analisar a fundo a vida familiar e a sexualidade americana viu sempre o Nobel fugir-lhe, apesar da reconhecida qualidade dos seus textos e a importância da sua obra.

Pastoral Americana, O Complexo de Portnoy, Goodbye, Columbus, A Mancha Humana e A Conspiração Contra a América são apenas alguns dos seus títulos mais célebres.


A sua carreira literária começou em 1959 com a coleção de contos Goodbye, Columbus e terminaria apenas em 2010, quando tinha já 76 anos. Guardava um post-it no computador onde se podia ler: "A luta com a escrita já acabou".

Entre esses anos publicou cerca de 30 obras, entre elas o importante O Complexo de Portnoy que trazia cruas descrições sexuais, tal como Roth a entendia, e abordava a maneira de viver da comunidade judaica em Newark, cidade do estado de Nova Jérsia onde Philip Roth nasceu e cresceu. Esta obra foi censurada na Austrália, o livro foi condenado por sumidades judaicas nos EUA. A obra foi mesmo descrita como o livro "pelo qual todos os antissemitas estavam a rezar". Mas aquele é um relato meio auto-biográfico do autor que revolucionou a cena literária dos EUA.