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BCE ainda não vê pico da inflação em outubro. “Seria surpreendente”, diz Lagarde

Presidente do Banco Central Europeu alerta também que medidas adotadas pelos governos europeus contribuirão para a pressão de subida de preços.

O banco central presidido por Christine Lagarde anunciou, em meados de junho, que iria aplicar “flexibilidade” nos reinvestimentos do PEPP.
Wolfgang Rattay/Reuters
Maria Caetano mariacaetano@negocios.pt 28 de Novembro de 2022 às 15:27

A inflação na Zona Euro ainda deverá continuar a acelerar, com o Banco Central Europeu determinado ainda a subir taxas de juros "quanto for necessário e durante o tempo necessário" para alcançar o objetivo de ancorar as expetativas de inflação de médio prazo nos 2%, afirmou nesta segunda-feira Christine Lagarde.

 

Em audição na Comissão de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, na quarta ronda anual de diálogo sobre a política monetária com os eurodeputados, a presidente do BCE afastou o cenário de a inflação no espaço do euro ter já atingido o pico, depois de ter alcançado o máximo histórico de 10,6% em outubro.

 

"Gostaria de ver a inflação a ter atingido o seu pico em outubro, mas não iria tão longe", afirmou Lagarde em resposta ao eurodeputado português Pedro Silva Pereira, que a questionava sobre a possibilidade de assistir a um abrandamento na subida das taxas de juro em próximas reuniões do conselho de governadores do BCE.

 

Um cenário no qual as subidas de preços começassem a abrandar após outubro "seria surpreendente", afirmou.

 

Em particular, a presidente do BCE manifestou-se preocupada com a transmissão da subida dos preços da energia aos preços do retalho, que apontará antes no sentido de que a inflação continue a acelerar.

 

Os riscos existentes, juntou, são aliás de uma inflação superior às previsões atuais.O BCE prevê 8,1% de inflação em 2022, abrandando para 5,5% em 2023.

Entre os riscos, está a evolução dos salários, que o BCE vê agora a "a apanharem o ritmo", num dos indicadores utilizados para avaliar a extensão e transmissão das pressões de preços. Também as medidas adotadas pelos governos, nas respetivas políticas orçamentais, irão contribuir para pressões de subida de preços, assinalou Lagarde, lembrando os dados da Comissão Europeia segundo os quais apenas 30% das medidas tomadas até aqui são dirigidas especificamente às famílias e às empresas mais vulneráveis (menos que isso na apreciação do BCE).

"Ainda não vimos tudo da inflação e ainda temos trabalho por fazer", avisou a presidente do BCE, que irá reunir-se a 15 de dezembro para decidir nova subida das taxas de juro. Além disso, a reunião servirá também para discutir os princípios gerais através dos quais o banco de Frankfurt irá iniciar a redução do volume de dívida em balanço. Lagarde assegurou aos eurodeputados que o processo será mensurável e previsível.

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