Economia Carlos Tavares alerta para o fraco valor acrescentado das exportações

Carlos Tavares alerta para o fraco valor acrescentado das exportações

O ex-ministro da Economia arrefeceu o entusiasmo do antecessor Álvaro Santos Pereira quanto à subida das vendas no exterior e elogia a promoção do sucessor Pedro Siza Vieira a número dois do Governo.
Carlos Tavares alerta para o fraco valor acrescentado das exportações
Vitor Mota/Cofina
António Larguesa 17 de outubro de 2019 às 12:33

Carlos Tavares aconselhou esta quinta-feira, 17 de outubro, a olhar para o valor que as empresas portuguesas estão a exportar, sustentando que "a componente importada" das vendas de mercadorias e serviços ao exterior é "muito mais alta do que nos países desenvolvidos".

 

Durante uma conferência na Fundação de Serralves, no Porto, o ex-ministro da Economia de Durão Barroso fez questão de "arrefecer o entusiasmo" de Álvaro Santos Pereira, que numa intervenção anterior destacara o reforço das exportações no PIB durante a última década.

 

"Aumentaram muito em volume, mas não aumentaram muito em valor acrescentado. Segundo as contas grosseiras que fiz, o aumento de dez pontos percentuais, dos 30% para 40%, do peso das exportações no PIB corresponde, em termos de valor acrescentado, apenas a metade", resumiu o atual chairman do Montepio.

Na semana passada, uma análise do Banco de Portugal (BdP) publicada no Boletim Económico de outubro mostrou precisamente que, apesar de a produção automóvel ter disparado em Portugal desde 2017, mais de dois terços (70%) daquilo que foi vendido ao exterior por esta indústria teve primeiro de ser importado.


Produtividade ganha ao défice? 


O homem que presidiu à CMVM entre 2005 e 2016 juntou-se também ao coro de empresários que aplaudem a promoção de Pedro Siza Vieira a número dois do próximo Executivo socialista, com o argumento de que "os instrumentos de política devem estar mais nas mãos do ministro da Economia do que nas do ministro das Finanças".

 

Lembrando que os Governos em Espanha já seguiram várias vezes este organigrama, Carlos Tavares vê nesta decisão de António Costa "um sinal de que se está a reconhecer a importância das políticas microeconómicas". "Prefiro que me digam que a produtividade aumentou dois pontos do que o défice reduziu duas décimas", concluiu.



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