CGTP exige que patrões “passem das palavras aos actos” após adesão “excepcional” à greve
Arménio Carlos considera que esta está a ser uma greve geral “excepcional”, exigindo mais do que compreensão por parte das entidades patronais e que dá força para pedir a demissão do Governo.
O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, disse esta quinta-feira que os níveis de adesão à greve geral estão a ser muito elevados, que dão força à central sindical para combater a política deste Governo e exigir a sua demissão, bem como a cedência dos patrões nas exigências dos sindicatos.
Os dados recolhidos pela central sindical “confirmam que estamos perante uma greve geral excepcional”, disse Arménio Carlos numa conferência de imprensa, citando a participação dos trabalhadores e também os compromissos que estes demonstraram para acção.
Arménio Carlos reclamou uma resposta do Governo e dos patrões às reivindicações da CGTP, destacando a necessidade de se “promover outra forma de redistribuição do rendimento”, através do aumento de salários, do salário mínimo nacional e das pensões de reforma, bem como do desbloqueamento da contratação colectiva.
As confederações patronais demonstraram ontem compreensão pela greve geral desta quinta-feira, mas para Arménio Carlos o “momento exige que passem das palavras aos actos”, o que passa por, desde já, aceitarem o aumento do salário mínimo e sentarem-se à mesa das negociações para negociar a contratação colectiva.
O líder da CGTP apelou ainda à necessidade de se promover uma política de apoio ao crescimento da economia, tendo voltado a criticar as palavras proferidas quarta-feira pelo primeiro-ministro. “Não podemos aceitar a forma como o primeiro-ministro se pronunciou sobre a greve”, disse Arménio Carlos, acusando o Governo de ser um “exterminador de emprego em Portugal”, com a eliminação de mais de 300 mil postos de trabalho em dois anos.
Arménio Carlos citou muitos casos de empresas privadas com níveis de adesão à greve de 100% ou próximo disso, afirmando que com estes níveis de adesão “sentimo-nos mais fortes”, e pelo contrário o “Governo está mais fragilizado. Cresce o desejo de mudança de governo e a reclamação de eleições antecipadas”, afirmou.
Questionado sobre se estavam já pensadas novas formas de protesto, como uma greve geral de maior duração, o líder da CGTP ressalvou que “não fazemos a luta pela luta” e os momentos de protesto “são sempre acompanhados de propostas, devidamente fundamentadas”.
Salientando que não se pode fazer greves gerais todos os dias, Arménio Carlos assegurou que “não excluímos nenhuma forma de luta”.