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DBRS afasta hipótese de descida de “rating” de Portugal

A agência canadiana refere que o “outlook” para a economia portuguesa “melhorou substancialmente nos últimos meses”, o que distancia as nuvens negras do horizonte da banca portuguesa, que poderá manter condições de financiamento junto do BCE.

Negócios 07 de Abril de 2014 às 09:46
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A Dominion Bond Rating Service (DBRS) é a única das quatro agências credenciadas pelo BCE para avaliar os títulos de dívida pública entregues pelos bancos como colateral para os seus pedidos de empréstimos que atribui a Portugal um “rating” acima de “lixo”. O que significa que um corte por parte desta pequena agência do Canadá bastaria para tornar inelegível toda a dívida portuguesa entregue pelos bancos portugueses ao BCE. Uma hipótese que, para já, é afastada pela analista para Portugal.

 

Em declarações ao "Público", Carla Clifton, analista da DBRS, destacou “os desenvolvimentos muito positivos a nível macroeconómico, nomeadamente os resultados conseguidos na balança comercial”. Já ao "Diário Económico", a mesma responsável referiu que “o ‘outlook’ para a economia portuguesa melhorou substancialmente nos últimos meses”.

 

“A recuperação económica parece ter encontrado terrenos mais firme e as perspectivas orçamentais parecem menos dominadas por riscos de ‘downsize’”, acrescentou a analista desta pequena agência criada em 1974, com sede em Toronto, que o BCE juntou neste exercício em 2008 às “grandes” Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch. Os títulos de dívida portuguesa garantem actualmente mais de 46 mil milhões de euros que a banca nacional tem financiados junto do BCE.

 

Esta questão ganha relevância à medida que se aproxima o final do programa de assistência financeira a Portugal, implicando também o término da suspensão do “rating” mínimo que é aceite em Frankfurt. A DBRS atribui um rating BBB- a Portugal com “outlook” negativo, revisto pela última vez em Dezembro. A próxima decisão da agência está agendada para 23 de Maio.

 

Na prática, esta que é, neste momento, a única agência de "rating que protege o País junto do BCE em caso de uma “saída limpa” defende, no entanto, a adopção de um programa cautelar por parte das autoridades portuguesas. Carla Clifton explicou ao Público que “mesmo num cenário de melhoria acentuada das condições de mercado para a dívida pública portuguesa, uma linha de crédito cautelar tem a vantagem de garantir taxas de juro razoáveis durante o seu período de duração”.

 

“Uma vez que um cenário positivo de sustentabilidade da dívida, em conjunto com uma avaliação favorável do sistema financeiro e com a correcção dos desequilíbrios macroeconómicos, são tudo condições que precisam de ser satisfeitas para que o país tenha acesso a uma linha de crédito cautelar, pode ser que garantir essa linha resulte num prémio positivo à dívida soberana do país e acabe por assegurar que Portugal não tenha que utilizar a linha de crédito”, detalhou a analista da DBRS.

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