Economia França desmente ter excluído Centeno da corrida ao FMI

França desmente ter excluído Centeno da corrida ao FMI

As autoridades gaulesas garantem que continuam em cima da mesa cinco nomes como potenciais candidatos à chefia do FMI, entre os quais o do português Mário Centeno. Paris desmente assim a notícia avançada esta manhã pela Bloomberg e pelo Financial Times que dava conta de que o ministro português das Finanças havia sido excluída da lista de possíveis sucessores de Lagarde à frente do Fundo.
França desmente ter excluído Centeno da corrida ao FMI
Mariline Alves
David Santiago 29 de julho de 2019 às 15:52
Afinal a exclusão de Mário Centeno da lista de candidatos à liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI) poderá ter sido falsa partida, já que as autoridades governamentais gaulesas garantem que permanecem em cima da mesa das possibilidades para a sucessão de Christine Lagarde cinco nomes, entre eles o do ministro português das Finanças e líder do Eurogrupo. 

O governo francês assegura que a primeira ronda de conversações com vista à escolha do sucessor de Lagarde, de saída para presidir ao Banco Central Europeu, que está a ser coordenada pelo ministro gaulês das Finanças, Bruno Le Maire, discutiu uma lista com cinco nomes. Paris reafirma que continua a trabalhar-se com base numa "shortlist" de cinco nomes e adianta que Le Maire irá, antes de qualquer decisão, auscultar a opinião dos restantes ministros das Finanças da União Europeia. 

É assim desmentida a notícia avançada esta manhã pela Bloomberg e pelo Financial Times que, citando fontes comunitárias, garantiam que a "shortlist" tinha ficado ainda mais pequena depois de serem descartados os nomes de Centeno e da homóloga espanhola, Nadia Calviño. Além destes dois nomes, continuam a ser cogitados também Jeron Dijsselbloem, ex-ministro das Finanças da Holanda e antecessor de Centeno na liderança do Eurogrupo, o atual governador do banco central da Finlândia, o ex-comissário europeu Olli Rehn, e Kristalina Georgieva, diretora-executiva do Banco Mundial, favorita de Paris para o cargo.  

Depois das dificuldades verificadas pelos líderes europeus para definir a distribuição dos cargos de topo das instituições europeias, que obrigaram a duas cimeiras dedicadas à questão e a uma maratona negocial que culminou com a escolha de Ursula von der Leyen para líder da próxima Comissão Europeia, a UE continua a mostrar divisões no que concerne à busca de consenso para a escolha do candidato com mais apoios para liderar o FMI. 

Prova disso mesmo são as informações díspares que correm nos corredores de Bruxelas. É que segundo pôde apurar o Negócios junto de fontes europeias envolvidas no processo de escolha do sucessor de Lagarde, o feedback recebido já na manhã desta segunda-feira é de que existem três candidatos com mais possibilidades de vir a liderar o FMI, estando Centeno entre eles e Rehn de fora. O desmentido feito pela França contraria não só as notícias da Bloomberg e do FT, mas também as informações recolhidas pelo Negócios. 

Macron lidera processo e prefere Georgieva

O Negócios confirmou junto de fontes oficiais que é o governo francês que está a liderar o processo de escolha do próximo líder do Fundo e Paris já tem inclusivamente uma candidata favorita. Trata-se da búlgara Georgieva, que em 2016 perdeu para o português António Guterres a corrida à liderança das Nações Unidas. 

Ora e de acordo com as informações recolhidas pelo Negócios, o facto de Guterres liderar a ONU é um fator que está a jogar contra Mário Centeno. Se é certo que na sequência dos acordos de Bretton Woods que enquadraram a ordem multilateral do pós-guerra ficou definido um acordo tácito segundo o qual a liderança do Banco Mundial ficaria a cargo de um norte-americano e a chefia do FMI para um europeu, a verdade é que também a ONU foi criada depois da Segunda Guerra enquanto aposta no multilateralismo. 

O Banco Mundial e o FMI estão sediados em Washington, enquanto a ONU tem sede em Nova Iorque, e ter dois portugueses a liderar duas destas três instituições é uma possibilidade vista com desconforto em várias capitais.

Tendo em conta que Kristalina Georgieva beneficia do apoio francês e que França lidera o processo de consensualização de um nome a apontar como candidato europeu ao Fundo, a búlgara pode ser vista como favorita ao cargo. Todavia, a atual líder do Banco Mundial tem a jogar contra a sua candidatura um enorme senão, o facto de ter 65 anos de idade (a 13 de agosto completa 66), sendo que o diretor-geral do FMI não pode exercer funções depois dos 70 anos. Como o mandato é de 5 anos, Georgieva completaria o mandato com 71 anos. Perante este cenário, o presidente francês Emmanuel Macron encetou esforços para tentar mudar as regras. 

O Negócios apurou ainda junto de uma fonte comunitária que para já os únicos apoios formais ao nome da búlgara dizem respeito às autoridades da Bulgária e à França. Já Dijssembloem dispõe do apoio de países do centro e norte europeus, entre os quais o da Alemanha, Olli Rehn é suportado pelos países escandinavos. Centeno e Calviño disputam o apoio dos Estados do sul da Europa. 

Entre esta segunda-feira, 29 de julho, e o próximo dia 6 de setembro decorre um período em que as candidaturas podem ser formalmente apresentadas, sendo que a estrutura do Fundo pretende ter o processo de sucessão de Lagarde concluído até 4 de outubro. 


(Notícia atualizada às 16:05)



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