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Sem consenso, UE vota sexta-feira candidato europeu ao FMI

Ao contrário do habitual, o candidato único europeu ao cargo de diretor-geral do FMI não vai resultar de um processo negocial informal mas de uma votação formal entre os ministros das Finanças dos 28 Estados-membros da UE.

Lusa
David Santiago dsantiago@negocios.pt 01 de Agosto de 2019 às 13:38
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Não houve consenso entre os 28 ministros das Finanças da União Europeia para a escolha informal de um candidato único europeu a diretor-geral do Fundo Monetário Internacional. Dado que já foi ultrapassado o prazo limite (final de julho) definido por Bruxelas para encontrar um nome, o ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire, responsável pela coordenação do processo de escolha do sucessor de Christine Lagarde, decidiu avançar com uma votação para definir o candidato. 

O Negócios sabe que a votação vai decorrer esta sexta-feira, 2 de agosto, a partir das 7:00, envolvendo os 28 ministros das Finanças do bloco europeu. Para haver um candidato eleito, este tem de assegurar uma maioria qualificada na votação, o que significa que terá de receber apoio de, no mínimo, 55% dos países que sejam representativos de pelo menos 65 da população europeia. 


Esta quinta-feira, Le Maire conversou ao telefone com alguns dos seus homólogos, que de acordo com aquilo que o Negócios apurou são sobretudo de países da Zona Euro, para tentar aferir da margem existente para a UE encontrar um nome capaz gerar consenso. Porém, como confirmou fonte oficial do ministério gaulês das Finanças em declarações reproduzidas pela estação France 24, "nesta altura, apesar de alguns candidatos terem reunido mais apoios do que outros, não existe consenso em torno de um único nome".

Nesta fase e apesar das notícias que, no início da semana, davam conta de que o ministro português, Mário Centeno, assim como a sua congénere espanhola, Nadia Calviño, estavam fora da "shortlist" de possibilidades, foram cinco os nomes testados por Bruno Le Maire.

Além do português e da espanhola, permanecem na corrida Jeroen Dijsselbloem, ex-ministro das Finanças da Holanda e antecessor de Centeno no Eurogrupo; Olli Rehn, governador do banco central da Finlândia, e Kristalina Georgieva, diretora-executiva do Banco Mundial tida como aposta do presidente francês, Emmanuel Macron, para a liderança da instituição sediada em Washington. Porém, para a búlgara poder ser candidata teria de haver uma mudança das regras do Fundo, já que Georgieva ultrapssa o limite de idade para exercer o mandato de cinco anos na instituição.

Enquanto Centeno e Canviño disputam o apoio dos países do sul, Dijsselbloem e Rehn tentam recolher apoios no centro e norte europeus. Já Georgieva conta basicamente com o suporte de Paris e Sófia. 

Solução pode estar num "outsider"
A ausência de consenso entre as capitais europeias poderá abrir a porta a uma solução não incluída na "shortlist" em avaliação pelos ministros das Finanças, segundo revelou uma fonte comunitária à Bloomberg. A confirmar a ideia de que pode surgir um "outsider" na corrida surge uma notícia da Reuters referindo que os responsáveis pelas Finanças decidiram alargar o prazo até às 18:00 desta quinta-feira para que o Reino Unido possa ainda apresentar um candidato próprio. 

O governador do banco central inglês, Mark Carney, chegou a ser ponderado, mas tendo em conta o Brexit deixou de ser considerado, já que a UE prefere ter um líder do FMI oriundo de um Estado-membro (a saída do Reino Unido da União está prevista para 31 de outubro).

O Financial Times defende que o governo britânico deveria apoiar a candidatura do economista indiano e ex-governador do banco central da Índia, Raghuram Rajan. A confirmar-se, a escolha do sucessor de Lagarde, que vai liderar o Banco Central Europeu, seria feita entre seis personalidades. Note-se que países como a Índia ou a China têm defendido que a convenção que estipula que o líder do FMI cabe a um europeu e a do Banco Mundial a um cidadão americano já não faz sentido no mundo multipolar e que o acordo tácito do pós-guerra não garante um ideal equilíbrio regional e geopolítico. 

Se a UE não alcançar consenso em torno de um único candidato, países como a Índia (ou outras economias emergentes) ficarão em melhor posição para apresentar uma candidatura própria e assim tentar colocar em causa o acordo tácito saído de Bretton Woods. Nos 75 anos do FMI, a instituição foi sempre liderada por um europeu, com primazia para a França que conta com cinco dos 11 diretores-gerais do Fundo.

O período para a apresentação formal de candidaturas decorre entre 29 de julho e 6 de setembro. Na semana passada, o FMI revelou que pretende ter o processo concluído até 4 de outubro.

(Notícia atualizada às 14:25)

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