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França vota contra acordo UE-Mercosul, mas assinatura deve avançar

Apesar do sentido de voto, tal não deve impedir a Comissão Europeia de obter o aval da maioria qualificada necessária para fazer passar o acordo.

O Presidente francês defende que o acordo está desatualizado.
O Presidente francês defende que o acordo está desatualizado. Olivier Matthys / Lusa - EPA
08 de Janeiro de 2026 às 20:11

 O Presidente francês anunciou esta quinta-feira que vai votar contra a assinatura do acordo entre a UE e os países do Mercosul, destacando "uma rejeição política unânime".

Apesar dos "avanços incontestáveis" que "devem ser reconhecidos pela Comissão Europeia", também "deve ser constatada uma rejeição política unânime do acordo, como ficou claramente demonstrado nos recentes debates na Assembleia Nacional e no Senado" franceses, afirmou Emmanuel Macron, em comunicado.

Esta decisão vem juntar-se à oposição da Irlanda, da Polónia e da Hungria, mas não deverá impedir a Comissão Europeia de obter o aval da maioria dos Estados-membros na votação por maioria qualificada, na sexta-feira, em Bruxelas.

Macron, também confrontado com a pressão dos agricultores que se manifestaram durante o dia em Paris, salientou que "França é favorável ao comércio internacional, mas o acordo UE-Mercosul é um acordo de outra época, negociado há demasiado tempo com base em fundamentos demasiado antigos".

O Presidente francês considerou ainda que "embora a diversificação comercial seja necessária, o ganho económico do acordo UE-Mercosul será limitado para o crescimento francês e europeu. Não justifica expor setores agrícolas sensíveis e essenciais para a nossa soberania alimentar".

De acordo com a Comissão Europeia, o acordo com o Mercosul representará mais 0,05% do produto interno bruto (PIB) da UE até 2040.

No entanto, o governante saudou os avanços obtidos em Bruxelas: "uma cláusula de salvaguarda específica", uma espécie de "travão de emergência" às importações agrícolas dos países latino-americanos do Mercosul em caso de desestabilização do mercado na Europa, mas também "medidas de reciprocidade nas condições de produção" e controlos reforçados.

"Muitos desses progressos ainda precisam de ser finalizados, e a França velará por isso", disse.

O chefe de Estado francês também se congratulou com outros "compromissos importantes da Comissão Europeia" sobre o montante do futuro orçamento da Política Agrícola Comum e sobre os preços dos fertilizantes.

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