Economia Grupo de trabalho sobre SIRESP diz que tem soluções "muito mais seguras" do que Altice

Grupo de trabalho sobre SIRESP diz que tem soluções "muito mais seguras" do que Altice

O grupo de trabalho criado pelo Governo sobre o futuro da rede de emergência nacional considerou esta quinta-feira que apresenta soluções alternativas para o SIRESP "muito mais seguras" do que a Altice Portugal.
Grupo de trabalho sobre SIRESP diz que tem soluções "muito mais seguras" do que Altice
Carlos Manuel Martins
Lusa 27 de junho de 2019 às 22:00

"As soluções que nós propusemos são muito mais seguras do que as soluções atuais da Altice, sobretudo em regiões sujeitas a fogos florestais", disse aos jornalistas o presidente do grupo de trabalho, após ter apresentado na Comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias as conclusões de um relatório sobre o SIRESP.

 

Carlos Salema foi questionado pelos jornalistas sobre as declarações do presidente da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, que considerou que o relatório do grupo de trabalho demonstra "um profundo desconhecimento" da realidade do país e até alguma "ignorância".

 

"Parece-me, desde logo, que [o estudo] é fruto de apenas uma dissertação de teor eminentemente académico que mostra um profundo desconhecimento e até mesmo alguma ignorância sobre aquilo que é a realidade do nosso país", disse Alexandre Fonseca em Faro.

 

O presidente do grupo de trabalho considerou que apresentaram ao Governo "soluções alternativas" para o SIRESP que excluem a Altice Portugal.

 

"O problema que levou a Altice a dizer o que disse é que nós propusemos soluções que talvez não usem a Altice. Propusemos coisas diferentes, mas a decisão não nos compete a nós", disse Carlos Salema, que é também presidente do Instituto de Telecomunicações.

 

O mesmo responsável avançou que o grupo de trabalho propõe como solução alternativa "a utilização de infraestruturas públicas de comunicações". Questionado se esta solução é mais barata, respondeu que não estudam custos, mas que "é muito seguro".

 

Carlos Salema criticou também a solução proposta pela Altice para o SIRESP, que passa por cabos de fibra ótica ou de cobre suportados em postes de madeira, o que "no meio de um pinhal" não é muito seguro em caso de incêndio.

 

O grupo de trabalhou avançou aos deputados que o Estado paga 2,6 milhões de euros anualmente à Altice Portugal pelas comunicações do SIRESP.

 

A propósito de a crítica da Altice poder ter origem neste valor, o presidente do grupo de trabalho afirmou que "deve ter pesado", uma vez que "ninguém deve gostar muito que seja tirado" esse montante.

 

O grupo de trabalho sobre o SIRESP recomenda que o Governo faça alterações de fundo na rede que podem custar até 25 milhões de euros para que seja mais seguro e dependa menos da Altice e Motorola.

 

De acordo com as conclusões do relatório, apresentado hoje no parlamento, o SIRESP "já foi pior, mas não é seguro", sobretudo em "situações extraordinárias". Por isso, os técnicos recomendam um conjunto de melhorias que no total vão implicar "um investimento entre 20 a 25 milhões de euros".

 

O grupo considera que a rede é constituída por estruturas "muito vulneráveis" e não permite atualizações tecnológicas significativas.

 

O grupo recomenda ao Governo que comece a pensar numa alteração da estrutura criando uma rede de "cabos de fibra ótica (enterrados) e/ou feixes hertzianos, sempre com redundância", sugerindo que devem ser instalados "em cerca de dois anos" e terá um custo de "oito a dez milhões".

 

Até à sua implementação, o grupo de trabalho propõe a continuidade do sistema atual.

 

A PPP que existe desde 2006 para o SIRESP cessa a sua vigência em 30 de junho de 2021.

 

O Estado comprou por sete milhões de euros a parte dos operadores privados, Altice e Motorola, no SIRESP, ficando com 100%, numa transferência que vai acontecer em dezembro, decidiu o Governo em Conselho de Ministros, em 13 de junho.

 

A parceria público-privada vai prolongar-se até 2021, quando termina o contrato, continuando a Altice e a Motorola a fornecer o sistema até essa data.

 




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