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Morreu o economista Ernâni Lopes (act.)

O economista Ernâni Lopes faleceu aos 68 após uma longa luta contra o cancro.

Negócios negocios@negocios.pt 02 de Dezembro de 2010 às 11:23
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Ernâni Lopes faleceu hoje. O jornal "Público" avança que o velório terá lugar na Igreja das Mercês, em Lisboa, onde o corpo ficará em câmara ardente.

Ernâni Lopes, que admitiu em 2006 sofrer de linfoma, era actualmente director e professor do Instituto de Estudos Europeus da Universidade Católica e sócio-gerente da consultora SaeR. Foi ministro das Finanças no Governo do bloco central liderado por Mário Soares, entre 1983 e 1985.

Ernâni Lopes negociou a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE) e aplicou o programa do FMI no país no início dos anos 1980.

Além das matérias económicas e europeias, Ernâni Lopes tinha outras áreas de interesse, tais como a defesa, a religião e as relações portuguesas com África.

O gosto por estes assuntos foi cultivado desde a sua formação. Licenciado em Economia em 1964 pela Universidade Técnica de Lisboa, Ernâni Lopes cumpriu serviço militar na Armada, como oficial da Reserva Naval.

O ex ministro também leccionou na Universidade Técnica de Lisboa, entre 1966 e 1974, e doutorou-se em economia em 1982, pela Universidade Católica.

Ernâni Lopes também passou pelo Banco de Portugal, tendo sido seu consultor económico entre 1985 e 1989.

"Jamais me passou pela cabeça que voltasse a haver uma situação como a de hoje"

A difícil situação económica e financeira que a economia portuguesa vivia no início do anos 80, com um endividamento face ao exterior a atingir um dos valores mais altos, originou a intervenção do Fundo Monetário Internacional, levando o então ministro Ernâni Lopes a aplicar um plano de austeridade.

Recentemente, numa intervenção à margem de uma conferência sobre a economia europeia organizada pela Faculdade de Economia do Porto, o ex-ministro das Finanças confessou que quando em 1985 encerrou o programa com o FMI (Fundo Monetário Internacional) "jamais" pensou que no país "voltasse a haver uma situação como a de hoje".

"Devo dizer que em 1985, quando fechei o programa com o FMI, jamais me passou pela cabeça que voltasse a haver uma situação como a de hoje. Considerei que era um assunto que em Portugal não se repetiria. Quem estava errado era eu", afirmou o economista.

"O governo de então resolveu o problema, estabilizou a economia e com a adesão [à CEE] criou perspectivas de desenvolvimento como não havia há meio século". Mas, desde então, acrescentou, "fez-se o contrário do que se devia fazer".

A situação do país "não tem a ver com taxa de juro, oferta de moeda nem finanças públicas. Tem a ver com qualquer coisa mais importante. Os problemas resolvem-se com estudo e trabalho e não com facilitismo e aldrabice".
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