Economia Projeção do Eurostat: Portugal terá 6,6 milhões de habitantes em 2100

Projeção do Eurostat: Portugal terá 6,6 milhões de habitantes em 2100

O Eurostat projeta uma redução contínua da população em Portugal. É uma queda de 36% da população nos próximos 80 anos em território nacional, o que compara com uma redução de 4% no conjunto da UE.
Projeção do Eurostat: Portugal terá 6,6 milhões de habitantes em 2100
Reuters
Tiago Varzim 10 de julho de 2019 às 13:57
A população em Portugal vai baixar de 10,3 milhões em 2019 para 6,6 milhões em 2100, segundo as projeções do Eurostat divulgadas esta quarta-feira, 10 de julho. O gabinete de estatísticas europeus estima que a população da União Europeia baixe dos 513,4 milhões para os 429 milhões. 

Tanto Portugal como a União Europeia no seu conjunto vão assistir a uma redução da população até ao final do século. Contudo, a evolução tem uma dimensão e um perfil diferente.


Em Portugal, a redução será maior (em termos percentuais) e ininterrupta de 2011 até 2100 (ver gráfico interativo em cima). A população em território nacional vai encolher em 3,7 milhões nos próximos 80 anos, uma redução de 36% face ao nível atual. Ao chegar aos 6,6 milhões de habitantes, Portugal terá uma população mais pequena do que os 8,4 milhões registados em 1974, o mínimo histórico registado na série do Eurostat que começa em 1960.

Já o conjunto dos países da União Europeia vai continuar a assistir a um crescimento da população até 2044, ano em que se atinge um pico de 525 milhões de habitantes. Só depois desse ano é que a população europeia vai começar a descer, ainda que a um ritmo mais lento do que acontece em Portugal. A UE deverá chegar a 2100 com 492 milhões de habitantes, menos 20 milhões do que o nível atual (-4% face a 2019).

Nas próximas décadas, a população europeia continuará a envelhecer, diminuindo a proporção de crianças de 16% em 2018 para 14% em 2100. O peso das pessoas que trabalham (população ativa) também deverá diminuir de 65% para 55%. 

A outra face da moeda é o envelhecimento da população com a percentagem de pessoas com mais de 65 anos a avançar dos 20% para os 31% em 2100. A percentagem de cidadãos com mais de 80 anos vai quase triplicar dos 6% para os 15%. A idade média da população vai passar dos 43,1 anos para os 48,7 anos. 

O rácio de dependência dos idosos (o número de idosos que são economicamente inativos em comparação com a população ativa) deverá saltar de 31% para 57%. Ou seja, isto quer dizer que haverá menos de duas pessoas a trabalhar por cada idoso com mais de 65 anos em 2100. 

Como já tem sido antecipado em vários relatórios, Portugal será um dos países europeus (e do mundo) mais afetados por esta transformação demográfica. Esse mesmo rácio de dependência será de 70% em Portugal, o qual é apenas superado pela Croácia (72%).

População sobe ligeiramente entre 2018 e 2019
Entre janeiro de 2018 e janeiro de 2019, a população da União Europeia subiu de 512,4 milhões habitantes para 513,5 milhões. Mas tal não se deveu aos residentes uma vez que o número de óbitos (5,3 milhões) superou o número de nascimentos (5 milhões). Foi a chegada de migrantes que deu um contributo positivo de 1,1 milhões, superando o contributo negativo de 300 mil da diferença entre mortes e nascimentos. 

Os números do Eurostat mostram que a Alemanha continua a ser o país com mais população (83 milhões ou 16,2% do total), seguida de França (67 milhões ou 13,1% do total) e do Reino Unido (66,6 milhões ou 13% do total). 

Portugal registou uma queda na população em 2018, a par da Hungria, Grécia, Itália, Lituânia, Roménia, Bulgária, Croácia e Letónia. Já Malta foi o país onde a população mais cresceu (quando comparado o rácio por 1.000 habitantes), seguido do Luxemburgo e da Irlanda. 



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