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Rei Juan Carlos I sai de Espanha após suspeitas de fraude fiscal

O pai do rei Felipe VI abandonou o Palácio da Zarzuela esta segunda-feira para se mudar para o estrangeiro.

Rita Faria afaria@negocios.pt 04 de Agosto de 2020 às 08:03
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O rei emérito Juan Carlos I abandonou Espanha no início desta semana, depois de ter sido alvo de suspeitas de fraude fiscal.

Juan Carlos I comunicou ao seu filho, Felipe VI, a sua "meditada decisão" de se mudar para o estrangeiro perante a "repercussão pública" das notícias sobre as suas contas em paraísos fiscais e para "contribuir" para que o chefe de Estado possa exercer a sua função "com a tranquilidade e sossego" que o cargo exige, de acordo com a carta divulgada na segunda-feira pela Casa Real.

O comunicado foi conhecido horas depois de Juan Carlos ter abandonado o palácio da Zarzuela, onde viveu durante os últimos 58 anos.

A carta não especifica onde viverá o rei emérito a partir de agora mas, de acordo com o Correio da Manhã, Juan Carlos I está exilado no Estoril, em Cascais.  

Para clarificar que a decisão do rei não é uma tentativa de escapar às investigações de que é alvo, o seu advogado Javier Sánchez-Junco tornou pública uma segunda carta em que assegura que o seu cliente "continua à disposição" da justiça para qualquer trâmite ou atuação que se considere oportuna.

Segundo o El País, Juan Carlos I não perderá o título honorífico que lhe foi concedido por um decreto real em junho de 2014 poucos dias antes da sua abdicação. O pai de Felipe VI recusou a renúncia voluntária a este título, que não supõe qualquer privilégio, e o seu filho não quis retirá-lo contra a sua vontade, como fez com a irmã Cristina, depois do caso Urdangarin.

Na missiva divulgada pela Casa Real, Juan Carlos I garante que "com o mesmo sentido de serviço a Espanha que inspirou" o seu reinado, e perante a "repercussão pública que estão a gerar certos acontecimentos passados" da sua privada, tomou a "meditada decisão" de se mudar para o estrangeiro. "O meu legado, e a minha própria dignidade como pessoa assim mo exigem", sustenta.

"Fui Rei de Espanha durante 40 anos e durante todos eles sempre quis o melhor para Espanha e para a Coroa", conclui a carta.

A mudança de Juan Carlos I acontece cerca de um mês depois de o El País ter revelado que a alegada ex-amante do rei emérito, Corinna Larsen, declarou perante as autoridades fiscais suíças que Juan Carlos lhe deu 65 milhões de euros supostamente oferecidos pelo rei da Arábia Saudita Abdullah bin Abdulaziz.

A partir desse momento surgiram uma série de suspeitas sobre contas em paraísos fiscais, ameaçando a reputação da Coroa, e que levaram o próprio chefe do Governo espanhol Pedro Sánchez a falar de notícias "inquietantes e perturbadoras".

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