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Ricos nos EUA são os vencedores da expansão económica mais longa de sempre

A economia norte-americana está a crescer sem interrupções desde 2009. Segundo a Reuters, os ricos são os que estão a tirar o maior partido desde ciclo de crescimento mais longo de sempre.

Este quatro de Claude Monet foi vendido em maio por 110,7 milhões de dólares, um recorde para uma pintura impressionista Reuters
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 02 de Julho de 2019 às 12:23
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A economia norte-americana entrou em julho a crescer pelo 121.º mês consecutivo, alcançando assim o período de expansão mais prolongado de sempre (ou desde 1854, quando o NBER começou a compilar estes dados).

 

Foi assim superada a duração do anterior ciclo de crescimento económico, que aconteceu nos anos 90 quando a maior economia do mundo cresceu sem interrupções ao longo de 120 meses (entre março de 1991 e março de 2001).

 

Nos Estados Unidos é o National Bureau of Economic Research (NBER) que decreta (não oficialmente) os ciclos económicos e os dados deste instituto mostram que a economia norte-americana está a crescer consecutivamente desde junho de 2009.

 

As recessões são tipicamente definidas quando o PIB contrai em cadeia durante dois trimestres seguidos, o que nos Estados Unidos não acontece desde a ressaca da crise financeira e valida esta tese de que a economia está a registar a expansão mais duradoura de sempre.

 

O Financial Times assinala que o atual ciclo de expansão duplica a média dos períodos de crescimento ininterrupto desde II Guerra Mundial, com a particularidade de ter sido atingido num período em que aconteceu uma grave crise de dívidas soberanas na Zona Euro, momentos de forte turbulência em várias economias desenvolvidas e uma guerra de tarifas comercias entre os principais blocos económicos do mundo.

 

"Este ciclo é mais prolongado do que o tempo em que os Beatles estiveram juntos. Persiste há mais tempo do que a série Seinfeld esteve no ar na televisão. É mais antigo do que o Instagram", comentou ao FT o economista da Invesco, Brian Levitt.


Apesar de terem recentemente soado os alarmes sobre a possibilidade de a economia norte-americana entrar em recessão, os últimos indicadores disponíveis não apontam nesse sentido. O PIB cresceu a um ritmo anual de 3,2% no primeiro trimestre e no segundo trimestre a taxa de crescimento terá continuado com sinal positivo.  

 

Apesar de este ser o ciclo de crescimento mais longo, não está a ser o mais forte. O PIB dos EUA está atualmente cerca de 20% acima do pico pré-crise financeira. Já a expansão dos anos 90 aumentou o valor do PIB da maior economia do mudo em mais de 40%.

 

Ricos são os vencedores

 

Além do Financial Times, também a Reuters está esta terça-feira a noticiar este facto de atual expansão nos EUA ser a mais longa de sempre. Mas com uma abordagem diferente, destacando antes que nesta expansão recorde são os ricos que estão a ganhar mais, ao contrário do que se passa noutras classes. 

A agência de notícias relata vários casos que mostram como os mais ricos estão cada vez mais ricos, como as vendas de peças de arte e antiguidades por valores astronómicos.

 

"Bem-vindo à mais longa expansão económica da história dos EUA, talvez melhor caracterizada pelos excessos de riqueza extrema e um abismo cada vez maior entre os incomensuravelmente ricos e todos os outros", escreve a Reuters.

 

A agência assinala que os negócios são cada vez maiores, desde as fusões e aquisições, às compras de casas de luxo, equipas desportivas e iates. E que o número de milionários não para de crescer, tendo mais do que duplicado na última década. Segundo o UBS, passou de 267 em 2008 para 607 no ano passado.

 

Em sentido inverso, há sinais de estagnação nos que menos rendimentos têm. Os 20% mais ricos dos EUA concentram 88% da riqueza do país, um nível superior ao registado antes da última crise. Na maior economia do mundo existem 39 milhões de pessoas a receber apoios sociais, o que representa um aumento de 40% face ao registado em 2008, quando neste período a população cresceu apenas 8%.

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