Seguro pede aos portugueses que digam o que querem. Ventura afasta responsabilidade por desmobilização
Na reta final da campanha, os candidatos lançaram os últimos argumentos para convencer os eleitores antes do sufrágio, que decorrerá no domingo sob condições meteorológicas adversas.
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O candidato presidencial António José Seguro pediu aos portugueses que digam "alto e bom som" o que é que querem, pedindo aos eleitores que no domingo perguntem o que é que podem fazer por Portugal.
Seguro dedicou a tarde do último dia de campanha a um encontro com mulheres, em Santo Tirso, Porto, durante o qual respondeu às várias perguntas que lhe foram feitas desde a assistência, que passou por temas como a democracia, a educação, a saúde ou os cuidadores informais.
O candidato presidencial voltou a falar do "sentido de urgência" que o fez voltar à vida pública e concorrer a estas eleições e referiu-se a "mais um chorrilho de tentativas de insultos" que hoje ouviu, numa referência implícita ao seu adversário, André Ventura.
"É mesmo um sentido de urgência porque eu sinto verdadeiramente que o país precisa, neste momento, dizer com clareza o que é que quer. E tem que o dizer com muita força, tem que o dizer alto e bom som", pediu.
De acordo com Seguro, a maneira de ser dos portugueses "não é de andar em conflitos permanentes" nem "a semear ódios, nem medos, nem receios".
O candidato mais votado na primeira volta das presidenciais recorreu a um célebre discurso do antigo presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy quando este pediu que "não perguntem o que é que o vosso país pode fazer por vocês, perguntem o que é que vocês podem fazer pelo vosso país".
"E neste momento nunca foi tão útil essa frase para dizer: não perguntem o que é que Portugal pode fazer por vós. Perguntem no próximo domingo o que é que cada um de vós pode fazer por Portugal", pediu.
Seguro lamentou que haja pessoas que lhe digam que não podem expressar as suas ideias nas redes sociais porque são de imediato insultadas.
"Antes do 25 de Abril é que havia medo, não é? Porque havia uma PIDE. Então é que a sociedade é esta. E nós só temos duas possibilidades: ou encolher-nos, e dizer isto não é comigo, ou chegar à frente e dizer, é comigo", desafiou.
Segundo o ex-líder do PS, a forma das pessoas defenderem um país livre e justo "é sair de casa" no domingo e, mesmo que esteja a chover, "ir à cabine de voto, colocar a cruzinha" e dar o seu contributo.
"E depois é comigo. Durante os próximos 5 anos, cada dia desses 5 anos, obviamente que não terei uma vida fácil", prometeu.
Por seu turno, André Ventura afastou qualquer responsabilidade numa possível desmobilização da ida às urnas, face ao seu apelo ao adiamento das eleições devido ao mau tempo.
Questionado sobre se a defesa de um adiamento das eleições por uma semana não poderá desmobilizar os eleitores de ir às urnas no domingo, André Ventura afirmou que isso "não interessa", acrescentando: "Não estou a pensar nisso".
O candidato, que falava aos jornalistas em Alcácer do Sal, rejeitou que possa ser corresponsabilizado por uma baixa ida às urnas nesta segunda volta, atirando as culpas àqueles "que querem manter as eleições a todo o custo" e àqueles "que querem manter eleições com metade do país devastado pela tempestade e sob risco de novas tempestades".
Já à hora de almoço, o também presidente do Chega tinha antecipado um aumento da abstenção no domingo, "talvez a maior que alguma vez" se registou.
Sobre se irá fazer campanha nos concelhos onde o ato eleitoral irá acontecer no dia 15, Ventura disse que isso "não está sequer" na sua cabeça, mas acredita que a campanha acaba hoje.
Apesar disso, vincou que irá voltar a concelhos afetados, "sobretudo para ajudar".
"As eleições vão acabar neste próximo domingo, mas a necessidade não vai acabar. [...] Eu já dei indicações para que, na próxima semana, neste caso o Chega, se mobilize com todas as estruturas para entregarmos as lonas, para entregarmos alimentos, para entregarmos ração de animais, porque isto não acaba no domingo", disse.
Em Alcácer, o candidato apoiado pelo Chega reiterou que está apenas a pensar "na ajuda das pessoas", depois de uma ação de campanha junto a um armazém de recolha de bens em Alcácer do Sal, concelho muito afetado pela depressão Leonardo.
Se há uma semana o candidato tinha chamado a comunicação social para se mostrar a recolher bens para a zona de Leiria, hoje, esteve em Alcácer do Sal, onde foi filmado e fotografado a entregar bens num armazém onde está a ser gerida e selecionada a ajuda para as populações afetadas daquele concelho do distrito de Setúbal.
O candidato chegou cerca de uma hora depois do previsto, depois de a chuva e vento intensos que se sentiam no local pararem.
Além de Ventura, deputados do Chega e militantes descarregaram bens de três viaturas (um veículo comercial de carga e dois carros) para dentro de um dos armazéns.
A concentração da comitiva da candidatura, câmaras e jornalistas criou alguma confusão na entrada do armazém, enquanto sacos de comida e produtos de higiene, paletes de águas e pacotes de leite eram entregues.
No meio dos donativos entregues, estava um saco de pano da candidatura presidencial do líder do Chega.
Questionado sobre o porquê de optar por fazer aquela ação acompanhado da comunicação social, André Ventura optou por criticar os jornalistas e vincar apenas que "é preciso ajudar" as pessoas.
"As pessoas agradeceram e continuam a agradecer estarmos aqui a dar essa ajuda e essa visibilidade", afirmou.
Durante a visita, uma voluntária explicou a Ventura que está a chegar a Alcácer "muita coisa do país inteiro" e "muitas pessoas para ajudar", sublinhando que há quem tenha perdido o seu negócio ou a sua casa e está ali, naqueles armazéns, a ajudar "desde o início".
No final da visita, o candidato foi interpelado por uma popular que lhe pediu que regresse àquela zona afetada por cheias quando o nível da água descer e for altura de limpar e reconstruir, e o candidato prometeu fazê-lo, defendendo também que os apoios anunciados pelo Governo cheguem às pessoas rapidamente.
Antes sobre a Ventura, considerou que "não é o momento de criar mais problemas", ao comentar a sugestão do Presidente da República de abertura de "um canal de entrada" de imigrantes para ajudar a reconstruir casas.
O candidato e líder do Chega considerou que, "num momento em que as pessoas precisam de ajuda", não se deve "misturar isso com assuntos de imigração" nem "agravar os problemas que o país já tem".
"Devemos fazer isso em comunidade, juntando a nossa solidariedade e apelando a todos para ajudar. Não é o momento de criar mais problemas a um problema que já temos", defendeu o candidato, que tem um posicionamento anti-imigração.
André Ventura sustentou que a questão da mão de obra se resolve pagando melhor aos trabalhadores portugueses, com o apoio das Forças Armadas e da "administração pública" e voluntários, e salientou que a ajuda tem de "ser imediata e eficaz", pelo que "tem de haver" capacidade interna.
As pessoas afetadas "não podem estar à espera de outras que vêm do outro lado do mundo, essas pessoas têm que reconstruir os telhados hoje, não é daqui a 10 meses, quando forem regularizadas as pessoas que vêm de fora".
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