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Seis meses depois da Grécia, Irlanda recorre a ajuda internacional (act)

Depois da Grécia, a Irlanda. Dublin aprovou o pedido de ajuda e recebeu já o “ok” dos ministros das Finanças da Zona Euro. Deverá receber entre 80 a 90 mil milhões de euros, sendo parte do dinheiro canalizado para evitar o colapso do sector financeiro do país.

22 de Novembro de 2010 às 02:03

A Irlanda tornou-se hoje no segundo país da Zona Euro a activar o pedido de ajuda internacional. Apesar das (muitas) diferenças – na Grécia o problema está nas (descontroladas e) contas públicas e na Irlanda no (problemático) sistema financeiro - as semelhanças são também várias. Ambos os países resistiram até ao fim à necessidade de receberem ajuda externa, mas terão que recorrer ao FMI.

E foi também mais uma vez num fim-de-semana – tal como na Grécia em Maio e para evitar a turbulência da reacção a quente dos mercados - que tudo se desencadeou, em mais um episódio fundamental na crise da dívida soberana que assola a Europa desde o início deste ano. Depois de vários dias de resistência, o Governo irlandês cedeu finalmente este Domingo, tendo aprovado o pedido de ajuda internacional que a Europa tinha já apelado que solicitasse, ao que se seguiu um “ok” quase imediato dos ministros das Finanças da Zona Euro.

No final da reunião do Conselho de Ministros de urgência que realizou na tarde de Domingo, o primeiro-ministro Brian Cowen (na foto) emitiu um comunicado onde confirmou o pedido de ajuda, tendo revelado numa conferência de imprensa que agora vão decorrer “várias semanas” de negociações, para acertar os detalhes da assistência a Dublin.

“Ao povo irlandês digo apenas isto: Não devemos subestimar a dimensão dos nossos problemas económicos, mas devemos ter fé na nossa capacidade enquanto povo para recuperar e prosperar uma vez mais”, afirmou Brian Cowen, revelando como trunfo o facto de o país não ser obrigado a subir a taxa de IRC, que assim permanece como uma das mais baixas da Zona Euro.

Ajuda inferior a 100 mil milhões

Minutos depois de terminar o Conselho de Ministros em Dublin, os ministros das Finanças da Zona Euro, após uma reunião relâmpago e de emergência, emitiram um comunicado onde aprovavam o pedido de ajuda formalizado pela Irlanda.

O empréstimo à Irlanda será efectuado através do recurso ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), a um fundo do Orçamento da União Europeia, e também de empréstimos bilaterais do Reino Unido e da Suécia.

O valor do empréstimo à Irlanda não foi ainda revelado oficialmente, mas quer o ministro das Finanças Brian Lenihan, quer o ministro belga das Finanças, Didier Reynders, garantem será "inferior a 100 mil milhões de euros".

O primeiro-ministro assegurou que o valor final só será determinado quando forem concluídas as negociações que vão agora iniciar e deverão demorar cerca de duas semanas. Fontes europeias citadas pelo Financial Times e Irish Times adiantam que o valor do pacote de ajuda deverá ficar entre 80 e 90 mil milhões de euros, o que elevará para cerca de 200 mil milhões o valor solicitado em conjunto com a Grécia.

O Fundo Europeu de Estabilização Financeira ascende a 750 mil milhões de euros. Evitar o colaspo da bancaFicou a saber-se que a Irlanda iria hoje aprovar o pedido de ajuda quando o ministro das Finanças, Brian Lenihan, deu uma entrevista à rádio pública RTE, onde revelou que iria recomendar aos seus colegas de Executivo que aprovassem o pedido de ajuda internacional. Explicou Brian Lenihan que tal medida servirá para “impedir o colapso do sistema bancário” da Irlanda, tendo reconhecido pela primeira vez que “os bancos são um problema demasiado grande para o país”.

Parte do dinheiro proveniente do fundo será utilizado para injectar capital nos bancos irlandeses e na criação de um “fundo de contigência” destinado a socorrer mais instituições financeiras do país que passem por dificuldades.

Já depois da aprovado o pedido de ajuda, disse o primeiro-ministro que os bancos irlandeses, “vão ser significativamente mais pequenos do que no passado, de modo que possam, de forma gradual, voltar” a serem independentes.

O recurso ao FEEF pretende também garantir que a Irlanda não necessitará dos mercados para se financiar durante vários anos, mas o ministro das Finanças mantém a confiança que a Irlanda não precisa de recorrer ao dinheiro destinado ao Estado.

Lenihan pretende assim demonstrar que a Irlanda só irá recorrer à ajuda da UE e do FMI para resolver o problema dos bancos, ao contrário do que aconteceu na Grécia. A Irlanda tem por agora as suas necessidades de financiamento asseguradas até meados de 2011.

Austeridade

A reunião do Executivo irlandês serviu também para aprovar o programa de austeridade, com a dimensão de 15 mil milhões de euros, ou 10% do PIB, com que Dublin pretende equilibrar as contas públicas no espaço de quatro anos. Os detalhes do pacote de austeridade só serão apresentados no final desta semana, mas a imprensa noticiou já várias das medidas a tomar.

A Irlanda deverá cortar o salário mínimo, actualmente em 8,65 euros por hora (o segundo mais elevado da Zona Euro), reduzir apoios sociais em 11% até 2014 e eliminar 280 mil empregos na função pública.

A reunião do Executivo irlandês serviu também para aprovar o programa de austeridade, com a dimensão de 15 mil milhões de euros, ou 10% do PIB, com que Dublin pretende equilibrar as contas públicas no espaço de quatro anos. Os detalhes do pacote de austeridade só serão apresentados no final desta semana, mas a imprensa noticiou já várias das medidas a tomar.

A Irlanda deverá cortar o salário mínimo, actualmente em 8,65 euros por hora (o segundo mais elevado da Zona Euro), reduzir apoios sociais em 11% até 2014 e eliminar 280 mil empregos na função pública.

Tal como no caso português, dois terços do pacote (10 mil milhões de euros) advêm de medidas do lado da despesa, mas também haverá aumento de impostos, onde o Estado pretende encaixar 5 mil milhões de euros em quatro anos.

Ainda assim, Dublin terá conseguido não deverá mexer na taxa do IRC, permanecendo assim como um dos países com a fiscalidade mais reduzida no que diz respeito às empresas.O primeiro-ministro usou este trunfo como prova de que o Governo não perdeu soberania e que as medidas foram ditadas por Dublin e não pelo FMI e Bruxelas.

Reacções

Depois da luz verde dos ministros europeus, também o FMI e o BCE emitiram comunicados a comentar a operação.

Numa declaração publicada no site oficial do FMI, o secretário-geral do fundo, Dominique Strauss-Kahn diz “parabenizar a resposta da União Europeia e os estados-membros da Zona Euro ao pedido de ajuda financeira do governo irlandês para salvaguardar a estabilidade financeira”, salientando estar “preparado para se aliar a este esforço, incluindo através de um empréstimo” por vários anos.

Já o BCE congratula-se com o facto de a Irlanda ter pedido ajuda financeira e acredita que o programa vai "salvaguardar a estabilidade financeira na União Europeia e na Zona Euro".

“O conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) parabeniza o pedido do Governo irlandês para a ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI), União Europeia e dos estados membros da Zona Euro”, refere um comunicado do BCE publicado no site oficial da autoridade monetária para a região.

O ministro das Finanças português emitiu esta noite um comunicado, onde expressa solidariedade com a Irlanda e confia que o pedido de ajuda de Dublin vai reforçar a confiança dos mercados.

Portugal e Espanha

Ao contrário de Teixeira dos Santos, muitos analistas acreditam que com a Irlanda fora do radar, as atenções centram-se agora em Portugal e depois na Irlanda.

“Penso que isto [resgate da Irlanda] significa que Portugal é o próximo [a pedir ajuda]. Não sei se isso acontecerá antes do final do ano ou depois, mas agora é praticamente inevitável”, afirmou Filipe Garcia, economista na IMF (Informação de Mercados Financeiros), em declarações à Reuters.

Já Peter Chatwell, estratega do Crédit Agricole, comentou à Reuters que não crê que o resgate da Irlanda possa significar que Portugal e possivelmente a Espanha saiam da linha de fogo.

A agência noticiosa falou também com Pedro Schwartz, economista na Universidade San Pablo, em Madrid, que se mostrou indeciso quanto à reacção dos mercados amanhã. “Podem virar-se para Portugal e talvez mesmo obrigá-lo a aceitar um resgate. Se Portugal for forçado a isso, então virarão as suas atenções para Espanha e não sei o que o governo fará. Penso que Espanha está numa situação diferente, mas não está livre de apuros. Nem o euro em geral”.

Já Peter Chatwell, estratega do Crédit Agricole, comentou à Reuters que não crê que o resgate da Irlanda possa significar que Portugal e possivelmente a Espanha saiam da linha de fogo.

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