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Sem intervenção da Fed, salários nos EUA teriam caído mais de 15% na pandemia

Estudo indica que o impacto da pandemia só não foi maior devido à combinação de política monetária e orçamental. Estímulos permitiram recuperar mais rapidamente e estabilizar salários. Inflação deverá fixar-se nos 1,5% "no primeiro ano após o choque", antecipa.

Joana Almeida JoanaAlmeida@negocios.pt 13 de Setembro de 2021 às 22:30
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Sem a intervenção da Reserva Federal dos Estados Unidos, a pandemia da covid-19 teria provocado uma queda de mais de 15% nos salários reais dos trabalhadores. A conclusão é de um estudo externo divulgado esta segunda-feira pelo Banco Central Europeu (BCE), que mostra que o impacto da pandemia só não foi maior devido à combinação de medidas de política monetária e orçamental.

"Se a Reserva Federal não interviesse, a produção teria caído mais de 10% no impacto e no trimestre seguinte. Os salários reais cairiam mais de 15% do que o atual e o desemprego aumentaria mais de 20%", lê-se no paper sobre a complementaridade entre as políticas monetária e orçamental na pandemia da covid-19. O estudo assinado por Jagjit S. Chadha, Luisa Corrado, Jack Meaning e Tobias Schuler é divulgado pelo BCE, mas não vincula o banco central.

As conclusões apontam para 
que a "combinação das respostas orçamental e monetária pode ter ajudado a evitar que a crise da covid-19 se transformasse numa recessão económica de magnitude e gravidade ainda maiores", com destaque para a "eficácia" do mega-plano da Fed de comprar títulos de dívida pública norte-americana (quantitative easing) e cortar taxas de juro.

Com esse programa de emergência, a Fed evitou que a produção económica nos Estados Unidos caísse mais de 20% e que o emprego em atividades ligadas aos bens tropeçasse 30%. Além disso, sem o apoio da instituição liderada por Jerome Powell para mitigar o impacto da covid-19 na economia e nos mercados financeiros, haveria uma queda de quase 25% no valor dos ativos.

O plano da Fed contribuiu ainda, segundo o estudo, para "reduzir os custos de empréstimos" e ampliar o impacto das políticas orçamentais pensadas para revitalizar a economia norte-americana no pós-pandemia.

"Concluímos que a combinação de intervenções orçamentais e monetárias mitigaram o impacto dos choques pandémicos e ajudaram a estabelecer uma abordagem mais rápida até à recuperação para níveis de atividade pré-crise", pode ler-se no paper.

Acrescenta que o emprego e os salários reais estão "em grande medida estabilizados" e antecipa que isso vai permitir que a inflação se mantenha estável nos 1,5% "no primeiro ano após o choque" provocado pela covid-19.

Tanto o BCE como a Fed têm estado a acompanhar de perto a evolução da inflação para ajustarem os estímulos e evitar um sobreaquecimento económico. Do lado dos EUA, Powell já admitiu que "pode ser apropriado começar a reduzir a velocidade da compra de ativos ainda este ano", enquanto, do lado da Zona Euro, Christine Lagarde anunciou que a b
azuca vai continuar a disparar, mas a um ritmo "moderadamente mais lento" do que nos últimos meses.

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