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Trabalhadores estrangeiros na restauração e alojamento apresentam maior risco de pobreza

Apesar de terem subido entre 2008 e 2019, a pandemia veio mexer com os indicadores da pobreza em Portugal. Quebras nas receitas do setor hoteleiro fazem disparar o risco de pobreza dos empregados e em 2019, 18,5% das crianças eram pobres.

Em 2019 17,2% da população era pobre
João Ruas Marques 03 de Março de 2021 às 14:22
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A pandemia veio penalizar a população em maior risco de pobreza que, entre a população empregada, é composta por trabalhadores estrangeiros na área da restauração e alojamento turístico. Os dados são do primeiro relatório de Balanço Social em Portugal desenvolvido pela NOVA SBE.

Estes são alguns dos componentes que, estatisticamente, acarretam maior risco de pobreza. Segundo o documento, os dois setores de atividade são responsáveis pela maior parte dos contratos a termo - um critério de avaliação do risco de pobreza que engloba 27% da população - e são quem mais dá emprego a trabalhadores estrangeiros que representam 6% da força laboral em Portugal. O seu peso é de 16% na restauração e 11% no alojamento turístico.

Estes setores, juntamente com o da moda e acessórios, apresentam também salários médios inferiores à média nacional e possuem uma proporção elevada de trabalhadores com salários inferiores ao salário mediano em Portugal. Por cima de tudo isto, dados da SIBS indicam que foram estes três setores os que mais quebras sofreram em valor de vendas, o que deixa os trabalhadores numa posição excecionalmente vulnerável.

Outros dados apresentados no relatório apontam ainda para uma redução na maioria dos índices referentes ao risco de pobreza entre 2008 e 2019. Ainda assim, em 2019, 17,2% da população era pobre, sendo que 12,5% da população foi pobre durante pelo menos dois anos entre 2016 e 2019. Em relação à situação laboral, em 2019, 42% dos desempregados e 11,4% dos empregados eram pobres.

A incidência da pobreza não é homogénea a nível nacional e regista as piores situações nas regiões autónomas da Madeira e Açores, com taxas de risco de pobreza de 27,8% e 31,8%, respetivamente. No continente, o Algarve é a pior região com 18,8% da população em risco de pobreza.

O relatório destaca ainda a situação das crianças, "um dos grupos da população mais vulnerável à pobreza e exclusão social", e conclui que, em 2019, 18,5% das crianças eram pobres. As famílias monoparentais são as que registam um maior risco (33,9%), intensidade (8,8%) e severidade de pobreza (4%), sendo que a escolaridade dos pais "tem um papel importante na transmissão intergeracional da pobreza".

Em relação à pandemia foi ainda possível perceber que a "telescola foi utilizada sobretudo pelas classes mais favorecidas", explicou Susana Peralta, professora de economia da NOVA SBE e autora do estudo que afirma ainda que o mesmo se passou com o teletrabalho.

A autora garante que a telescola "foi um recurso disponibilizado a todos de forma igual" e que a sua utilização dependeu sobretudo "do contexto familiar" diferente entre famílias, e que "pode ou não propiciar a utilização dos recursos". Já no teletrabalho, a tendência é clara e fácil de explicar uma vez que "as profissões de alto rendimento são as mais teletrabalháveis".

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