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A estratégia dos principais candidatos às eleições espanholas

A campanha para as quartas eleições gerais em quatro anos implicou uma série de ajustes às estratégias políticas dos principais partidos espanhóis, sobretudo nos seis com implantação nacional. O regresso em força do independentismo catalão foi o principal catalisador de mudanças nas mensagens políticas.

PSOE - Pedro Sánchez

PSOE - Pedro Sánchez
O secretário-geral do PSOE e primeiro-ministro espanhol em exercício pede o reforço da votação nos socialistas para uma maioria "mais forte" que não deixe o partido dependente do apoio de outras forças, quer para governar quer, desde logo, para assumir funções plenas. Sánchez tem tentado capitalizar votos ao centro. Contudo, a quase certa manutenção de um parlamento multipartidário e fragmentado levou o líder socialista a desafiar PP e Cidadãos para que se abstenham de modo a viabilizar a sua investidura como primeiro-ministro. A posição moderada em relação à Catalunha, em que defende uma solução plurinacional tendente ao federalismo, deu lugar a uma retórica mais dura dado que o eleitorado espanhol é maioritariamente crítico do independentismo catalão.

Unidas Podemos - Pablo Iglesias

Unidas Podemos - Pablo Iglesias
O protagonista da coligação eleitoral entre Podemos e Esquerda Unida trouxe como principal mensagem para a campanha a ideia de que Sánchez se prepara para uma aliança com as forças de direita. Temendo uma grande coligação (bloco central), Iglesias pede o voto no Unidas Podemos para impedir o PSOE de se aliar ao PP e, ou, Cidadãos. Mais concreto do que na negociação fracassada de uma coligação durante o verão, Iglesias assume agora que não apoiará um executivo socialista mas apenas um governo de coligação que o próprio admite querer integrar. Sobre a Catalunha, defende o indulto dos dirigentes políticos condenados, a realização de um referendo independentista e o diálogo, e não a judicialização, como caminho para uma solução.

Vox - Santiago Abascal

Vox - Santiago Abascal
O líder da ascendente extrema-direita espanhola quer assumir-se como o único dirigente das direitas que não se sentará, em circunstância alguma, à mesa com Pedro Sánchez. O ressurgimento em força da questão catalã impulsionou o Vox nas intenções de voto, com Santiago Abascal, apoiado num discurso patriótico, a beneficiar do apoio do eleitorado mais conservador, unionista e até saudosista do regime de Franco. Abascal não tem qualquer condescendência em relação ao independentismo catalão e no debate televisivo a cinco repetiu quatro vezes a pergunta a Sánchez sobre se poderá vir a aliar-se a forças independentistas para viabilizar a investidura, questão que o líder socialista deixou sem resposta.

PP - Pablo Casado

PP - Pablo Casado
Quando, há cerca de ano e meio, sucedeu a Mariano Rajoy na liderança dos conservadores, Pablo Casado encostou o PP ainda mais à direita de modo a estancar a hemorragia de votos para o Cidadãos e, sobretudo, o Vox. Nos últimos meses apostou num discurso mais moderado e as sondagens parecem ter-lhe dado razão, já que o PP recuperou em relação ao Cidadãos e ao Vox. Apela ao voto útil e à não dispersão de votos pelo centro-direita e direita, acenando com uma nova crise económica no horizonte como razão para votar PP. Já admite dialogar com o PSOE para superar o bloqueio. Mantém-se duro com a questão catalã, garante que, ao contrário de Sánchez, a ele não lhe tremem as pernas perante os independentistas. Defende a convivência debaixo de uma única nação, a espanhola.

Cidadãos - Albert Rivera

Cidadãos - Albert Rivera
De terceiro nas eleições legislativas de abril a quinto partido no ato eleitoral deste domingo: este é o risco que corre o liberal Cidadãos. Não espanta que Albert Rivera tenha definido como uma das ideias centrais para a campanha a garantia de que as sondagens serão derrotadas. A ideia generalizada de que o Cidadãos estará a ser prejudicado pelo "não é não" a Sánchez, de que não abdicou após as últimas eleições, levou Rivera a mudar de tom e a levantar o veto ao PSOE. Agora, o Cidadãos assume-se como o partido fundamental para acabar com o impasse. Oriundo da Catalunha, assim como o próprio Cidadãos, Rivera faz da luta contra o soberanismo catalão a principal arma política do partido.

Más País - Íñigo Errejón

Más País - Íñigo Errejón
O líder desta recém-formada formação política de esquerda radical, oriunda de uma cisão de membros do Podemos, assumiu como missão combater o voto útil. É a persistência do impasse não ultrapassado pelos restantes cinco partidos com implantação nacional que pode dar tração ao Más País. Como tal, Errejón quer afirmar o partido como a esquerda alternativa ao PSOE, menos radical do que o Podemos mas distante do centrismo dos socialistas. Posicionou o partido como progressista e ecológico e o único do campo da esquerda capaz de acabar com o bloqueio que continua a impedir um entendimento entre PSOE e Podemos. Numa posição próxima do PSOE, defende que o federalismo é o caminho para resolver os problemas nacionalistas.
David Santiago dsantiago@negocios.pt 09 de Novembro de 2019 às 15:00
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O cansaço dos eleitores espanhóis perante a incapacidade dos principais partidos se entenderem com vista à formação de um governo capaz de devolver estabilidade política a Espanha levou a uma série de mudanças e ajustamentos àquilo que eram as posições dos líderes das forças políticas espanholas, em particular daquelas com implantação nacional e não somente regional. 

A esta exaustão juntou-se o reacender do processo soberanista da Catalunha na sequência das pesadas sentenças aplicadas pelo poder judicial de Madrid aos dirigentes políticos catalães envolvidos na realização da consulta popular à independência da comunidade autonómica e na posterior declaração unilateral de independência. O resultado foi o acentuar da cisão entre "espanholistas" e nacionalistas.  

Conheça a mensagem e o que pensam sobre a Catalunha os seis principais candidatos às eleições espanholas deste domingo.
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