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Bazuca da União Europeia pode sofrer atrasos por risco de veto da Hungria e Polónia

Os dois governos do Leste Europeu dizem que a chamada condicionalidade do estado de direito os estigmatiza injustamente em relação aos seus padrões democráticos.

Bloomberg 16 de Novembro de 2020 às 14:49
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A negociação sobre o pacote de recuperação económica da União Europeia, financiado com dívida conjunta, corre o risco de mais atrasos, alertou um diplomata na segunda-feira, após a Hungria e Polónia insistirem que vetarão o processo.

 

Embora os líderes da UE tenham fechado um acordo em julho sobre o orçamento do bloco para os próximos sete anos, juntamente com um programa de estímulos financiado por dívida conjunta, partes do pacote ainda precisam de apoio unânime dos estados membros. As negociações entre os embaixadores na tarde de segunda-feira em Bruxelas não devem produzir consenso, disse o diplomata, que não quis ser identificado.

 

Hungria e Polónia disseram que discordam de um acordo fechado na semana passada entre a Alemanha, que representa os governos nacionais nas negociações, e o Parlamento Europeu, que também têm poder de veto, sobre exigências para o desembolso de 1,8 biliões de euros. Os dois governos do Leste Europeu dizem que a chamada condicionalidade do estado de direito os estigmatiza injustamente em relação aos seus padrões democráticos.

 

 

 

"No que diz respeito ao futuro dos nossos filhos e netos, a Hungria e os húngaros não concordam com compromissos, seja no caso de uma revolução ou apenas de um simples veto", disse na segunda-feira a ministra da Justiça húngara, Judit Varga, num post em sua página no Facebook. "Não é a Hungria que está a chantagear e pressionar Bruxelas nas negociações sobre o financiamento do orçamento da UE, mas o contrário."

 

Crise orçamental

As negociações meticulosas sobre os termos do pacote já estão atrasadas, e o diplomata sénior da UE em Bruxelas disse que um bloqueio da Hungria os lançaria numa nova crise. O diplomata reiterou que os atrasos agora são inevitáveis e que os líderes da UE podem ter que interferir no processo quando realizarem uma videoconferência na quinta-feira.

 

A Hungria deve receber quase 7 mil milhões de euros em subvenções do estímulo planeado da UE, além das suas alocações regulares do bloco. A Polónia, também entre os principais beneficiados do orçamento, deverá obter quase 25 mil milhões de euros em subvenções do pacote de estímulo adicional, com base em cálculos da Comissão Europeia a preços constantes de 2018.


 

Grupos de lóbi de empresas polacas disseram em comunicado conjunto que um veto prejudicaria a capacidade da economia de recuperar após a pandemia, reduziria o interesse de investidores e deixaria o país "sozinho e em desacordo com os seus aliados na Europa". Mas os interesses económicos parecem estar a perder para os políticos. O ministro da Justiça e aliados exigem publicamente que o primeiro-ministro do país rejeite o plano orçamental ou estará sujeito a graves consequências.

 

"Este é um momento-chave da nossa história, quanto vale a soberania, mil milhões de euros, várias dezenas de milhares de milhões de euros, várias centenas de milhares de milhões de euros? Para nós, não tem preço", disse na segunda-feira o vice-ministro da Justiça da Polónia, Michal Wojcik.

 

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