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Conheça o discurso e as propostas dos partidos espanhóis

Hoje é dia de eleições gerais em Espanha e há cinco partidos que se destacam na luta pelos votos dos eleitores. Conheça a principal mensagem de cada partido e as propostas que defendem para o país vizinho de Portugal.

PSOE, o partido moderado

PSOE, o partido moderado
Ao longo da campanha eleitoral, o secretário-geral socialista, Pedro Sánchez, apelou ao voto útil no PSOE como a melhor forma de evitar um governo das "direitas" a exemplo do sucedido na Andaluzia. Nesse sentido, tentou mobilizar os eleitores moderados afirmando os socialistas como o partido da moderação e estabilidade. Sánchez acenou com o risco de regresso às divisões entre unionistas e independentistas e aos fenómenos de corrupção caso a direita regresse ao poder. "Têm que votar todos os socialistas convencidos, mas também temos de dirigir-nos ao conjunto dos espanhóis: aos que decidiram não votar há que dizer-lhes que o seu voto conta e aos que não sabem em quem votar peço-lhes que votem no PSOE", disse. Sánchez promete conciliar os espanhóis e continuar a promover políticas de reforço dos rendimentos e pensões.

Propostas:
  • O PSOE propõe criar taxas sobre gigantes como a Google e impostos ambientais.
  • Aumentar a progressividade do sistema fiscal com maior carga fiscal para as grandes empresas, rendimentos mais elevados e maiores patrimónios.
  • Continuar subida do salário mínimo com aumentos graduais.
  • Reforma da lei laboral com simplificação do tipo de contratos de trabalho.
  • Criar uma Espanha das Autonomias, reconhecendo a plurinacionalidade e fomentando a igualdade e solidariedade. Em suma, reforçar o modelo das autonomias regionais.
  • Dar um impulso à política comum europeia de asilo e imigração. Facilitar fluxos migratórios ordenados na UE.

PP, o partido da direita

PP, o partido da direita
O presidente popular Pablo Casado fixou como prioridade da sua liderança iniciada em 2018 recolocar o PP na posição de principal partido da direita espanhola. Como tal, segue os passos do rival Sánchez ao pedir o voto útil nos populares, embora com um âmbito mais reduzido já que a intenção passa nesta fase por afirmar o PP como a força mais representativa à direita. Nessa senda recuperou valores tradicionais do PP, desde logo um conservadorismo mais vincado na linha da liderança de Aznar. Essa intenção é dificultada pela competição neste campo político com o Cidadãos e o Vox. "Quem não quiser Sánchez no governo só tem como alternativa o PP", sustenta. Casado carregou insistentemente na tecla da ameaça secessionista, defendendo que esta será maior com o PSOE no poder e que só o PP pode contê-la.

Propostas:
  • Revolução fiscal para o crescimento e a competitividade, desde logo através da redução do IRS (abaixo dos 40%) e do IRC (abaixo de 20%) ou da supressão dos impostos sobre o património e sucessões.
  • Medidas de reforço da sustentabilidade da Segurança Social como a possibilidade do envelhecimento ativo ou a extensão voluntária da carreira contributiva. Aumento entre 2% e 15% das pensões das mulheres que sejam mães trabalhadoras.
  • Reforma da Lei do Indulto, proibindo-o em casos de rebelião ou sedição.
  • Criar 500 mil empregos por ano.
  • Vincular a imigração a um contrato de trabalho.
  • Flexibilizar lei do trabalho.

Cidadãos, o partido charneira

Cidadãos, o partido charneira
Apesar da guinada à direita encetada como resposta à liderança marcadamente conservadora de Casado no PP e à emergência do Vox (extrema-direita), Albert Rivera mantém presente no discurso a tentativa de afirmar o Cidadãos como partido charneira do sistema partidário espanhol. Ou seja, Rivera tenta situar-se entre o PSOE e o PP e assim assegurar que num quadro político de enorme fragmentação e polarização parlamentar seja o Cidadãos o partidos capaz de desbloquear soluções de governo tanto à esquerda como à direita (pese embora rejeita alianças com o PSOE enquanto Sánchez for líder). Tal como os restantes líderes à direita, também Rivera enunciou como prioridade evitar o regresso de Sánchez a Moncloa para salvaguardar a unidade do reino espanhol.

Propostas:
  • Aplicar artigo 155.º da Constituição na Catalunha até que esteja restabelecida a normalidade constitucional.
  • Reforma da Constituição para reforçar poder do Estado central.
  • Reduzir a taxa de IRS e eliminar imposto sucessório.
  • Atribuição de vistos por "pontos" para atrair cérebros.
  • Complemento salarial mínimo para combater situações de pobreza de trabalhadores.
  • Eliminar todos os contratos de trabalho temporários.
  • Trabalhadores por conta própria com rendimento inferior ao salário mínimo anual ficam isentos de pagar impostos.
  • Acabar com o privilégio do varão sobre a mulher na linha sucessão da coroa.

Podemos, esquerda para governar

Podemos, esquerda para governar
Através da coligação eleitoral com a Esquerda Unida, o Podemos de Pablo Iglesias tentou estancar a perda de votos para o PSOE, conciliando propostas de esquerda com uma atitude menos radical. Dessa forma Iglesias quis mostrar que o Podemos está preparado para integrar um governo do PSOE, prioridade tão relevante quanto a de impedir que os socialistas se aliem ao Cidadãos para governar. "A opção preferida por alguns setores do poder económico é o PSOE junto ao Cidadãos. Se lhes dão os votos, farão um governo de Rivera presidido por Sánchez", afirma Iglesias para quem um governo de esquerda em Espanha só é possível com a participação da aliança Unidos Podemos. Nos dois debates televisivos da semana passada ficou patente uma abordagem moderada contrastante com as habituais intervenções públicas de Iglesias.

Propostas
  • Aumento do IRS sobre rendimentos superiores a 100 mil euros por ano.
  • Criar um novo imposto sobre o património dos mais ricos.
  • Novo imposto sobre a economia digital e criar imposto à banca.
  • Anexar as pensões de reforma à evolução do índice de preços no consumidor.
  • Jornada semanal de trabalho de 34 horas.
  • Utilizar o Bankia como banco público para apoiar a economia.
  • Realização de um referendo na Catalunha incluindo uma nova opção de pertença da região autonómica a Espanha.
  • Flexibilizar as regras de reunião familiar de imigrantes.
  • Licenças de maternidade e paternidade iguais e intransferíveis.

Vox, o partido da unidade

Vox, o partido da unidade
O exponencial crescimento do Vox nas intenções de voto a partir de 2018 aconteceu na mesma medida em que o partido liderado por Santiago Abascal radicalizou o discurso. Além da tradicional retórica anti-sistema contra os principais partidos, Abascal quis afirmar o Vox como o partido verdadeiramente anti-independentismos e o único capaz de combater essa ameaça. Defensor do nacionalismo espanhol, o Vox defende a unidade de Espanha e admite centralizar o poder em Madrid acabando com as autonomias regionais. Abascal não tem pudores em protagonizar a oposição a bandeiras da esquerda que partidos mais moderados como o PP e o Cidadãos sentem dificuldade em criticar. É o caso das críticas ferozes ao feminismo e às medidas promotoras da igualdade de género ou ainda da rejeição ao acolhimento de refugiados.

Propostas:
  • Suspensão imediata da autonomia catalã até desafio soberanista ser derrotado.
  • Ilegalizar partidos políticos e organizações ponham em causa integridade de Espanha.
  • Recuperar Gibraltar.
  • Fim da lei de violência de género.
  • Defesa da vida desde a conceção até à morte natural.
  • Acabar com todas as quotas de género nas listas eleitorais.
  • Eliminar dupla tributação de dividendos.
  • Deportação de todos os imigrantes ilegais.
  • Reduzir impostos às empresas que contratem por tempo indefinido desempregados de longa duração.
David Santiago dsantiago@negocios.pt 28 de Abril de 2019 às 11:00
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