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No Iraque há um campo de refugiados controlado pelo Estado Islâmico

No Iraque, os refugiados sírios vivem num campo controlado pelo Estado Islâmico (EI). Lá, quase um milhar de pessoas vive sobre as regras do EI, sem espaço para negociações. Na Europa, a Alemanha continua a ser o destino mais procurado.

Reuters
Liliana Borges LilianaBorges@negocios.pt 29 de Outubro de 2015 às 18:57
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No Iraque há um campo de refugiados sírios localizado num território controlado pelo Estado Islâmico. Lá, as regras são claras. As mulheres têm de cobrir a cara com um niqab (um véu que deixa apenas revelar os olhos) e não podem andar sem uma companhia masculina. Beber e fumar é proibido. Todos estão proibidos de usar internet, e mesmo que tentassem contornar esta proibição a torre que existia na fronteira com a Síria foi destruída há mais de um ano. Quem ousar desafiar alguma destas proibições enfrenta consequências que incluem a execução.

A região que acolhe o campo de cerca de 900 refugiados, Al Obaidi, norte do Iraque, está sob controlo do Estado Islâmico há 16 meses. Os abastecimentos de comida e medicamentos feitos através das Nações Unidas (num saco preto, sem logotipos e em pequenas quantidades), são cada vez menores com a intensificação dos conflitos, que dificultam a sua chegada aos campos. "Ainda assim, a vida no campo de Al Obaidi é melhor do que a vida lá fora. Pelo menos temos os serviços básicos como água e electricidade durante oito horas por dia", descreve um dos membros de um grupo de ajuda iraquiano, citado pela Reuters.

Desde que o grupo extremista tomou o controlo da zona, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados substituiu a sua equipa por membros locais de grupos de apoio e, desde então, não voltou a visitar o campo. Testemunhas dos dois grupos de apoio iraquianos afirmam que a primeira visita do Estado Islâmico ao campo de refugiados aconteceu poucos dias depois de chegarem à cidade e fizeram questão de deixar claro que os residentes deveriam obedecer às rígidas leis islâmicas, exigindo ainda que se extraíssem todos os símbolos das Nações Unidas (ONU) existentes no campo, sem qualquer margem para negociações. 

 

Apenas uma semana depois da sua chegada, o grupo islâmico executou três homens e duas mulheres, alegando que se tratavam de espiões. Um mês depois, em Agosto de 2014, um outro membro do grupo de apoio iraquiano foi morto, sem que ficassem conhecidas as razões da sua execução.

Desde que o Programa Mundial de Alimentação das Nações Unidas suspendeu a distribuição de comida em Fevereiro, a Agência de Refugiados das Nações Unidas tem entregue, através de parceiros locais, algum dinheiro e dois pães por refugiado, por semana. Os medicamentos chegam apenas duas vezes por ano, obrigando a uma gestão rigorosa dos mantimentos.

Apesar de ninguém negar a existência do campo, onde quase metade dos refugiados são crianças, organizações como a UNICEF silenciam-se quando se fala das negociações e do apoio e serviços prestados. Os trabalhadores locais dos grupos de apoio temem que o campo seja encerrado no próximo ano, devido à falta de apoio, uma vez que a crise que chega à Europa afasta a atenção da Síria e do Iraque, alegam. Além disso, reconhecem a dificuldade de financiar um campo de refugiados controlado pelo Estado Islâmico.

 

Municípios alemães pedem mais apoio a Berlim

Já em território europeu, a economia líder da Europa continua a ser o destino mais procurado pelos refugiados. Para lidar com a entrada de um forte fluxo migratório - que deverá atingir um milhão de refugiados até ao final de 2015, a Alemanha prevê gastar até 16 mil milhões de euros durante o próximo ano. O anúncio foi feito esta quinta-feira, 29 de Outubro, pela Associação alemã de Cidades, que esclarece que os custos serão cobertos pelos municípios e Estados federais alemães.


A cumprirem-se as previsões, a Alemanha deverá receber o dobro do número de refugiados de qualquer ano precedente. Os Estados alemães têm-se queixado das dificuldades que têm enfrentado e pedem ao Governo que aumente a ajuda disponibilizada. Helmut Dedy, director-geral da Associação alemã de Cidades, esclarece que, tendo em conta as ajudas com as quais o Governo alemão já concordou, os municípios continuam a precisar de entre 3 mil milhões a 5,5 mil milhões de euros.

As estimativas da associação apontam para um novo afluxo de refugiados em 2016, que deverá situar-se entre meio milhão e 1,2 milhões de pessoas. Os desafios são óbvios, afirma Stephan Articus, director-geral da mesma associação. "Desde providenciar residências e acomodação até ao registo em escolas, centros de dia ou cuidados de saúde", enumera. A associação reforçou por isso os seus pedidos de ajuda a Berlim.

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