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Barnier volta a Londres para retomar negociações frente a frente a um mês da data limite

O representante da UE para as negociações com Londres sobre a relação futura regressa este fim de semana à capital inglesa para reiniciar as conversações cara a cara numa altura em que faltam apenas cinco semanas para o fim do período de transição.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 27 de Novembro de 2020 às 13:44

As negociações presenciais com vista à assinatura de um acordo de parceria entre a União Europeia e o Reino Unido serão retomadas este fim de semana em Londres, informou Michel Barnier.

O chefe da missão negocial do lado europeu recuou assim face à ameaça de suspensão das negociações técnicas devido à ausência de progressos nos últimos dias e viajará ainda na noite desta sexta-feira para a capital inglesa a fim de tentar desbloquear o persistente impasse. Na terça-feira, Barnier disse ao congénere britânico, David Frost, não vislumbrar qualquer vantagem no regresso a Londres se o governo britânico não alterasse a respetiva posição no sentido das exigências comunitárias.

Recorde-se que as conversações presenciais foram suspensas porque Barnier teme de cumprir um período de isolamento depois de um elemento da sua equipa ter testado positivo à covid-19.

Numa comunicação feita aos representantes diplomáticos dos Estados-membros em Bruxelas, o francês reiterou que "persistem as mesmas divergências significativas" na negociação bilateral.

Do lado britânico, o primeiro-ministro Boris Johnson, citado pela BBC, insiste que depende da vontade da União a possibilidade de ser fechado um acordo, embora também ele tenha reconhecido que continuam a existir "diferenças relevantes e substanciais".

O tempo continua a correr e falta pouco mais de um mês para que, a 31 de dezembro, termine o período de transição, fase iniciada a 31 de janeiro último com a concretização do Brexit e durante a qual o Reino Unido continua inserido no mercado único e na união aduaneira.

Finda a transição, se não houver um acordo de parceria, as trocas comerciais entre os dois blocos passam a ser regidas pelas normas da Organização Mundial de Saúde, o que tenderá a causar o aumento dos preços dos bens comercializados, podendo provocar filas intermináveis de camiões de lado de lá do Canal da Mancha.

Via Twitter, David Frost garantiu que Londres continua a querer fechar um acordo, mas voltou a avisar que não a qualquer preço.

O governo conservador insiste na recuperação de total controlo sobre as suas fronteiras (a questão da liberdade de circulação de pessoas, sendo que Londres apenas se compromete com as restantes três liberdades previstas no mercado único: bens, serviços e capitais), na autonomia para definir as regras das ajudas de Estado às empresas e, talvez o ponto que mais emperra as negociações, e em assegurar o controlo das águas territoriais britânicas (a UE quer manter o acesso dos pesqueiros europeus às águas do Reino Unido por parte).

Além destes pontos, a União insiste ainda na adoção por Londres de padrões sobre leis laborais e ambientais idênticos aos seguidos no espaço europeu.

Dado o atraso das negociações e para evitar um cenário de precipício a 1 de janeiro de 2021, o Parlamento Europeu tem já agendada, para 28 de dezembro, uma sessão extraordinária do plenário para votar um eventual acordo que venha a ser alcançado.

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