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Ifo: Queda do setor automóvel tirou 0,75 pontos ao PIB alemão em 2019

O setor automóvel alemã está a sofrer uma mudança estrutural com a relocalização da produção e a adaptação das fábricas existentes. Nesta transição, o PIB "perdeu" 0,75 pontos percentuais de crescimento em 2019.

Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 13 de Janeiro de 2020 às 15:41
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Uma mudança estrutural do setor automóvel na Alemanha, um dos mais importantes para a maior economia da Zona Euro, tem sido uma das principais "culpadas" pela desaceleração do PIB alemão em 2019, segundo um estudo do Instituto Ifo divulgado esta segunda-feira, 13 de janeiro. 

Os cálculos dos economistas alemães apontam para 0,75 pontos percentuais a menos de crescimento económico por causa da fraqueza do setor automóvel no ano passado. Ainda não se sabe o número final para o crescimento do PIB alemão de 2019, mas a economia esteve muito perto de entrar em recessão e praticamente estagnou.

As contas do Ifo incluem não só as fabricantes de automóveis mas também as indústrias alemãs que fornecem as várias partes de um carro. Ao todo, a indústria automóvel corresponde a 5% do PIB alemão e a 3% dos empregados que fazem descontos na Alemanha. 

Para Timo Wollmershaeuser, diretor de previsões no Instituto Ifo, o que está em causa é uma "mudança estrutural". Os números mostram que as fabricantes alemãs estão a deslocalizar cada vez mais a produção de carros para outros países europeus, como é o caso de Portugal (Autoeuropa, da Volkswagen), importando-os posteriormente para venda. 

Para o Instituto "uma das possíveis razões" para esta relocalização da produção é "a crescente conversão das fábricas alemãs para a produção de carros elétricos". "Durante esta fase de transição, o número de carros novos produzidos na Alemanha está a cair uma vez que os carros com sistemas de propulsão convencionais anteriormente produzidos nessas fábricas alemãs estão a ser construídos noutros países europeus". 

Mudança estrutural afeta emprego
"Esta mudança estrutural está agora a deixar a sua marca no mercado de trabalho", explica Wollmershaeuser, assinalando que desde o início do ano passado o número de trabalhadores, ajustado de sazonalidade, do setor automóvel encolheu 1,3%, o que compara com uma redução de apenas 0,2% nas restantes indústrias transformadoras. 

Além disso, as fabricantes de automóveis estão a recorrer cada vez mais à redução do horário de trabalho. De acordo com um inquérito da Ifo, relativo a dezembro, 14% das empresas do setor disseram ter recorrido a esse mecanismo e 19% adiantaram que o vão fazer no futuro.  

A redução dos trabalhadores ou do seu horário de trabalho reflete o aumento de 2% em 2019 da produção de carros alemães noutros países europeus, após a subida de 7,5% em 2018. Já a produção interna caiu 8,9% em 2019, ligeiramente menos do que a queda de 9,3% de 2018. Em 2019, a produção de carros na Alemanha atingiu um mínimo de 1997.

Assim, num ano em que a procura por carros alemães até aumentou, a oferta chegou pela produção externa, tal como mostram as importações alemãs de carros de passageiros com origem na União Europeia: estas aumentaram 16% entre janeiro de setembro do ano passado, em termos homólogos, segundo o Ifo.
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